domingo, 17 de março de 2013


'O Estado é mais forte que o crime'

Tribuna do Norte - Publicação: 17 de Março de 2013 às 00:00


Ministro da Justiça do Governo Dilma Rousseff, apontado como um dos auxiliares "fortes" da gestão. Pronto! Traçou a imagem de uma autoridade cheia de meias palavras, com muitos protocolos? Mas nada disso se encaixa no perfil de José Eduardo Cardozo. Na passagem por Natal, onde esteve para participar da homenagem ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, e se reunir com a governadora Rosalba Ciarlini, o ministro da Justiça demonstrou praticidade e uma autoridade sem muitos protocolos. No discurso, o enaltecimento das ações desenvolvidas pelo Governo Federal, a preocupação em aumentar o número de vagas no sistema penitenciário, a ponderação com os modelos de presídios privados e a postura pró-ativa em defender a reeleição da presidente Dilma Rousseff e a aliança com o PMDB. O ministro da Justiça José Eduardo Cardozo se mostra preocupado com a participação de policiais em organizações criminosas, cobra rigor das corregedorias e destaca que é preciso uma mudança de postura dos operadores do Direito para o uso das penas alternativas.  "Onde há crime organizado existe a corrupção de segmentos do aparelho do Estado. E um dos mais graves problemas é quando isso chega ao aparato de segurança pública. A existência de crime organizado que possa ter vinculação com o aparelho policial  é algo que nos preocupa e exige a tomada de atitude", destaca o ministro. O convidado de hoje do 3 por 4 é um ministro-político, um político-ministro, mas sobretudo um cidadão brasileiro preocupado com os índices de violência e buscando medidas eficazes para combatê-la. Com vocês, o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo.
Aldair DantasJosé Eduardo Martins Cardozo: Não costumo falar de organizações criminosas. Mas eu diria a você que o Estado brasileiro é mais forte que o crime organizadoJosé Eduardo Martins Cardozo: Não costumo falar de organizações criminosas. Mas eu diria a você que o Estado brasileiro é mais forte que o crime organizado

O senhor já recebeu notícias do momento delicado vivido pelo RN na segurança pública. O que se pode fazer por esse Estado?

Acho que hoje o problema da segurança é nacional com diferenças regionais. Há muitos anos o Brasil é um país que está muito acima do padrão desejável e apontado pelos organismos internacionais em relação a número de homicídio. Nenhum Estado brasileiro hoje está abaixo do que é considerado ideal. Infelizmente, isso é histórico no Brasil; não é de agora. O que nós precisamos captar é que nós podemos falar das causas gerais da violência e causas específicas da violência. Todas as causas gerais o Governo Federal tem trabalhado muito no enfrentamento daquilo que diz respeito a sua competência. Então estamos fazendo um plano de fronteira e fiscalização muito exitoso. É pelas fronteiras que tem entrada de armas, de drogas, o tráfico de pessoas, que acabam sendo crimes movimentados por organizações criminosas geram a violência interna. Esse é um grande desafio porque temos 16 mil quilômetros de fronteira terrestre, 8 mil quilômetros de fronteira marítima aproximadamente. Então fiscalizar as fronteiras em um país como o Brasil é um grande desafio. Estamos desde junho de 2011 desenvolvendo um programa de fronteiras, em conjunto com o Ministério da Defesa e tem sido um êxito, aumentamos muito a apreensão de drogas e a fiscalização. Esse é um ataque geral que estamos fazendo. Também temos alguns programas nacionais, sabemos que a droga é geradora da violência. O programa "Crack é possível vencer" é um programa que enfrenta as drogas e enfrenta essa situação decorrente do uso das drogas. Esse é um projeto feito pelo Ministério da Justiça. Temos alguns programas que atacam a violência nas suas causas nacionais. Mas nós temos situações localizadas e isso é o que faz com que nós desenvolvamos o programa "Brasil mais Seguro". Esse programa é de apoio da União aos Estados, feito dentro de uma ótica em que nós desenvolvemos a partir de um diagnóstico muito preciso das causas específicas da criminalidade no Estado. A partir daí são tomadas todas as medidas necessárias para que as causas sejam atacadas. E isso é o que vim tratar com a governadora Rosalba Ciarlini e um tema muito solicitado pelo presidente (da Câmara) Henrique Eduardo Alves, para nós agilizarmos ao máximo essa questão aqui.

Como o senhor analisa a relação de policiais nos crimes? No RN, o próprio secretário já apontou para participação de policiais em chacinas.

Esse é um dos problemas mais perversos que se tem em segurança pública. E não é um problema tipicamente brasileiro. Onde há crime organizado existe a corrupção de segmentos do aparelho do Estado. E um dos mais graves problemas é quando isso chega ao aparato de segurança pública. A existência de crime organizado que possa ter vinculação com o aparelho policial  é algo que nos preocupa e exige a tomada de atitude. E claro isso tem que ser feito em conjunto com os Governos federal e estadual. Da parte do Governo Federal nós temos tido ações muito importantes da Polícia Federal. Tivemos períodos recentes ações fortes em que policiais que participavam de grupos de extermínio foram presos no Estado da Paraíba, no Estado de Goiás. Portanto, temos situações muito fortes nessa linha. Agora é muito importante que nós apoiemos os Estados para que tenham corregedorias fortes, que atuem, consigam demonstrar, inclusive, para o corpo  policial que não podemos admitir nenhuma corporação elementos que conspurcam a imagem da corporação. Ou seja, é importante que as próprias corporações reajam a esse tipo de situação. Nós temos, na verdade, muita atenção para isso e, seguramente, cada vez mais os Estados se conscientizam que precisamos agir com muito rigor em relação a desmandos na área policial. Em outras palavras, o policial precisa ser valorizado, estimulado, bem remunerado. Mas por outro lado é inadmissível desvios funcionais na área policial sem punição. E ao mesmo tempo precisamos ser implacáveis contra policiais que são cooptados pelo crime organizado.

Polícia Federal e Presídio Federal são dois ícones de qualidade da segurança pública no país. Por que não se consegue levar esse modelo, já existente, para os Estados?

Os presídios federais são de segurança máxima e foram concebidos dentro de uma lógica para reunir um universo de presos de alta periculosidade. E eles têm sim um padrão de excelência indiscutível, que nós temos tentado através dos nossos programas levar para os Estados. Infelizmente, o problema dos presídios estaduais é histórico no Brasil, seria equivocado culpar este ou aquele governador, porque isso é uma coisa que se acumula. Infelizmente, o Brasil não deu atenção para o seu sistema prisional. E nem a população reconhece o esforço dos governadores quando querem melhorar esse sistema.  E infelizmente o sistema prisional virou um dos pontos de cooptação para o crime organizado. Como as condições dos presídios são péssimas, como muitas vezes colocamos atrás das grades pessoas que praticam pequenos delitos e elas (as pessoas presas) se submetem a violações de direitos básicos, elas se tornam presa fácil do crime organizado, são facilmente capturáveis. Boa parte das principais organizações criminosas que atuam no Brasil nascem como uma forma de combate as más condições carcerárias no Brasil. Temos vários exemplos de organizações criminosas que tem esse perfil. Temos que atacar duramente o crime organizado. Da mesma forma que precisamos atacar duramente a corrupção policial, precisamos de um esforço gigantesco para melhorar nossas condições carcerárias não só porque isso é uma questão de direitos humanos, mas porque é no presídio que está surgindo  a alimentação de organizações criminosas. 

Qual avaliação que o senhor faz do modelo de presídio privado, que foi posto em Minas Gerais?

As PPPs (parcerias público privadas) que tem sido usadas em alguns países são modelos que têm despertado muita polêmica de natureza financeira, da política criminal propriamente dita. O Departamento Penitenciário Nacional a nosso pedido está fazendo um estudo para analisar essas experiências, seus pontos positivos e negativos porque temos hoje um ousado programa de construção de unidades prisionais. São R$ 1,1 bilhão que estão sendo investidos para construir 40 mil unidades e mais 20 mil que foram construídos. A nossa ideia é que o Governo Dilma possibilite a construção de 60 mil vagas novas. Eu diria que não existe um modelo perfeito, todos tem prós e contras, o que precisamos avaliar é se realmente vale a pena usar certos modelos a partir dos resultados e do endividamento que ele gera. 

É um jogo em condição desleal: a população carcerária que cresce em proporções maiores do que o aumento de vaga?

Esse é um grave problema. O que precisamos fazer é construir mais unidades prisionais. Eu, sinceramente, gostaria que esse dinheiro fosse usado para construir mais escolas e hospitais. Mas eu não posso prescindir de unidades carcerárias, temos um déficit no Brasil imenso. 

E o PCC? Tem como vencer?
Veja, eu não costumo falar de organizações criminosas específicas. Mas eu diria a você que o Estado brasileiro é mais forte que o crime organizado. Se nós conseguirmos a integração necessária entre a União, os Estados e os Municípios, se nós pararmos de colocar nossas dimensões políticas ou corporativas na frente do interesse público e, para isso precisamos ter maturidade para perceber que segurança pública não é questão de governo e sim de Estado, se ocorrer essa integração vamos derrotar as organizações criminosas porque acredito muito na força do Estado brasileiro. 

Entrando no foco da política, o PT colocou o bloco na rua para campanha da presidente Dilma em 2014?

É natural, pela própria agenda eleitoral brasileira, quando se encerra uma eleição começa outra. Eu não diria que colocamos o bloco na rua, mas acho que infelizmente alguns setores da oposição, avaliando o sucesso do Governo do presidente Lula, o sucesso da presidente Dilma, tem receio que esse quadro se consolide ainda mais, aí eles (a oposição) começa  jogar o tabuleiro de xadrez na perspectiva de desencadear desagregação entre as forças governistas ou explorar situações. Hoje a oposição passa por momento difícil no Brasil e é natural que eles busquem antecipar o calendário das eleições. 

O senhor defende a reprodução da aliança do PT e PMDB?

O PMDB tem sido um grande parceiro. O vice-presidente Michel Temer tem tido papel importante na estabilidade do nosso governo. O presidente Henrique Eduardo Alves também tem papel importante no nosso governo. Como essa aliança vai se colocar a aliança, essa é uma questão que vamos discutir com os partidos da base aliada. Mas acho que PT e PMDB fizeram relação sólida no plano nacional e tem que ser mantida.

sábado, 9 de março de 2013

Sintest promove debate na tevê fechada.


Comissão da Verdade da UFRN foi tema do Diálogo Plural desta semana

Para assistir ao programa na íntegra é só clicar no link abaixo.
Lembramos que o programa vai ao ar todos os sábados às 9h45 na Sim TV (Canal 17 na TV aberta, no canal 21 da Cabo Natal e SKY e na NET no canal 06).

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Morre o filho de Dermi Azevedo.


Não tenho certeza, mas acho que Dermi Azevedo é seridoense de Jardim do Seridó e seu pai era Curraisnovense.  (cvp)

Repassando, como recebi ..
È verdade, mas acho que o pai era de Jardim do Seridó ou Parelhas, caro César.

E ainda tem gente que defende a ditadura.



18 de fevereiro de 2013 às 12:12

O desabafo e a dor de Dermi Azevedo pela morte do filho, preso e torturado quando bebê


Publicado em Memória
Carlos Alexandre com os pais, aos 3 anos – Foto: Cedida/IstoÉ
Jornalista e cientista político potiguar que fez carreira em São Paulo, ex-preso político e um dos fundadores do Movimento Nacional de Direitos Humanos – MNDH, Dermi Azevedo usou a sua página no Facebook para expor sua dor pela morte do filho Carlos Alexandre, que este ano completaria 40 anos. Já havia tentado o suicídio outras vezes.
No dia 15 de janeiro de 1974, com apenas 1 ano e 8 meses, Carlos Alexandre foi preso e torturado pela ditadura militar. Levado junto com sua mãe, Darcy Andozia. Em maio do mesmo ano, quando Dermi deixou a prisão, voltou com  a família para o RN. Primeiro moraram em Currais Novos, depois vieram para Natal. Dermi ingressou no curso de Jornalismo da UFRN, onde se formou em 1979. Retornaram para São Paulo e em 1984 ele começou a trabalhar no jornal Folha de São Paulo.
Em entrevista à revista ‘IstoÉGente’, Carlos Alexandre, então com 37 anos, disse à repórter Solange Azevedo: “A ditadura não acabou”.
Confessou: “Até hoje sofro os efeitos da ditadura. Tomo antidepressivo e antipsicótico. Tenho fobia social”.
À revista, o pai fez declarações chocantes: - “Meses depois de sair da prisão, soube que o meu filho tinha sido vítima de choques elétricos e outras sevícias. ele foi jogado no chão e bateu a cabeça. maltratar um bebê é o suprassumo da crueldade”.
Mais: “O meu filho apanhou dos policiais do Deops porque estava chorando de fome. levou um tapa tão forte que cortou os lábios”.
Que toda história horrenda da ditadura militar não fique mais impune. É a vergonha e a desumanidade que o Brasil ainda teima esconder nos podres porões.
Eis a entrevista – emocionante – com Carlos Alexandre na IstoÉGente.
O desabafo no Facebook:

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Morre o ex-deputado gaúcho Aluízio Paraguassú.


Aos 79 anos, morre em Tramandaí o ex-deputado Aluízio Paraguassú
Aluízio Paraguassú, que foi vereador de Porto Alegre e deputado federal e estadual, morreu na tarde desta sexta-feira, aos 79 anos, vítima de uma pneumonia. Ele estava internado havia dois dias no Hospital da Ulbra, em Tramandaí, em razão de uma infecção pulmonar, que tratava em casa. O corpo do político está sendo velado na Capela Três do Cemitério da Santa Casa. O sepultamento está marcado para às 10h deste sábado.
Nascido na Capital, em 13 de março de 1933, era filho de Sady Alves Ferreira e Hilda Paraguassú Ferreira, foi funcionário público federal e se aposentou como diretor da Centrais de Abastecimento do Rio Grande do Sul (Ceasa). Havia um ano, ele estava morando em Balneário Pinhal.

Foi eleito vereador de Porto Alegre em 1968, pelo MDB. Em 1971, assumiu uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, onde ficou até 1975 e foi membro da comissão de Obras Públicas, Transporte e Comunicações, relator da subcomissão de estudos dos problemas da Área Metropolitana de Porto Alegre e vice-presidente da comissão de Obras Públicas.

Foi deputado federal de 1975 a 1979 e de 1979 a 1983. Na Câmara, atuou nas comissões da Ciência e Tecnologia, das Comunicações, das Finanças, da Fiscalização Financeira e Tomadas de Contas e da Segurança Nacional e na comissão especial do Desenvolvimento da Região Sul.

Segundo o ex-deputado Antônio Carlos Rosa Flores, que foi colega de Paraguassú na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados, ele era famoso por não usar sapato nem gravata, sendo criticado por alguns colegas, que tentavam "enquadrá-lo".
– Ele sempre foi uma figura diferente, exótica. Como era solteiro, vivia para a política. Tinha a base em Porto Alegre, mas era conhecido em todo o Estado e gostava de fazer campanha corpo a corpo. Ele era muito generoso, boa gente e amigo. Todo mundo gostava dele – afirma Rosa Flores.

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Aluízio Paraguassú esteve em Natal, onde tinha amigos, em 2007. Aqui foi ciceroneado por Francisco de Assis Cortez Gomes.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Cine Clube Natal retorna amanhã no Solar Bela Vista.



O Cineclube Natal terá sessão mensal fixa em parceria com o Solar Bela Vista
 
Foto: Cartaz/Divulgação
Desde 2012, o Solar Bela Vista tem apostado em uma série de eventos e programações que visam a movimentação do circuito cultural e o crescimento do leque de opções para o público de Natal. Nesse contexto, o Cineclube Natal firmou parceria com a casa para uma nova sessão regular mensal: O Cine Solar.
 
As sessões terão início na próxima sexta-feira, dia 15, sempre na terceira sexta-feira de cada mês, até o mês de junho. Os filmes escolhidos para o primeiro semestre giram todos em torno da temática “A Resistência Individual” (à política, à religião, à ciência, à economia, etc.). Cada sessão terá curadoria dos membros do Cineclube Natal e contará com a presença de um convidado especial para coordenar e debater os filmes, junto com os curadores e com o público.
 
A primeira sessão exibirá o filme franco-italiano “Giordano Bruno” (Giuliano Montaldo, 1973) e terá como convidado o Prof. Ciclâmio Leite Barreto do departamento de Física Teórica e Experimental da UFRN. Não será cobrada taxa de ingresso para as sessões do Cine Solar.
 
Sinopse do filme
Giordano Bruno é um das grandes obras do cinema político italiano dos anos 70. Com direção precisa de Giuliano Montaldo (Sacco & Vanzetti), o roteiro mostra um dos episódios mais polêmicos da história: o processo e a execução do astrônomo, matemático e filósofo italiano Giordano Bruno (1548-1600), queimado na fogueira pela Inquisição por causa de suas teorias contrárias aos dogmas da Igreja Católica. Giordano Bruno tem como destaque a impressionante interpretação de Gian Maria Volonté no papel-título, a música de Ennio Morricone e a belíssima fotografia do mestre Vittorio Storaro. Um filme simplesmente indispensável. (Por InterFilmes)
 
SERVIÇO:
Cine Solar
Filme: Giordano Bruno
Quando? Sexta-feira, dia 15/02, às 19h
Onde:  Solar Bela Vista (Av. Junqueira Alves, nº 417, Cidade Alta, Natal)
 
Programação para o primeiro semestre de 2013:
Tema: ”A Resistência Individual”
 
1º - 15/fevereiro – Giordano Bruno (idem), 1973, Giuliano Montaldo, Itália/França, 114´
2º - 15/março – Lutero (Luther), 2003, Eric Till, Alemanha/EUA, 123´
3º - 19/abril – Spartacus (idem), 1960, Stanley Kubrick, EUA, 184´
4º - 17/maio – O Homem Que Não Vendeu Sua Alma (A Man of All Seasons), 1966, Fred Zinnemann,    
       Inglaterra, 120´
5º - 14/junho – Norma Rae (idem), 1979, Martin Ritt, EUA, 110´
 
Cineclube Natal
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Av. Hermes da Fonseca, 407, Mercado de Petrópolis, Box 51, Tirol, 59020-000 - Natal/RN
 


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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 2/12/2013 09:00:00 AM

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013


Abraham Lincoln X John Fitzgerald Kennedy
Armando Negreiros, médico (armandoanegreiros@hotmail.com)

Depois de cerca de dois anos sem ir ao cinema resolvi assistir a alguns filmes candidatos ao Oscar 2013. Realmente há filmes que só valem a pena no cinema. O grande problema é que os telespectadores não têm a menor educação. Ficam amassando sacos de pipoca e mastigando com ruídos mais apropriados para um estábulo. Vi Django Livre de Quentin Tarantino Com Jamie Foxx, Christoph Waltz (ator austríaco que faz o papel do cruel poliglota alemão Hans Lander de “Bastardos Inglórios”) e Leonardo DiCaprio. Excelente filme. Outro muito bom, porém monótono, é Lincoln de Steven Spielberg com Daniel Day-Lewis, Sally Field, David Strathairn. Não é o que se espera de Spielberg, entretanto, como diz Isabela Boscov, para quem gosta de história (e tem paciência, acrescento eu) os diálogos são fantásticos.
                Lincoln, o décimo-sexto presidente dos Estados Unidos, conseguiu acabar com a Guerra da Secessão, ou Guerra Civil Americana, que ocorreu entre 1861 e 1865 e concomitantemente com a escravidão. Era o norte do país industrializado contra o sul escravocrata. Morreram quase um milhão de americanos, cerca de 3% da população americana à época. Alguns conselheiros achavam que Lincoln deveria ganhar a guerra e deixar a questão da décima-terceira emenda, que acabava com a escravidão, para segundo plano. Entretanto, ele insistiu que uma coisa era consequência da outra, usou de todos os métodos possíveis, muitos dos quais criticáveis – beirando a corrupção -, mas justificável por defender uma boa causa. O filme é bom, mas como dizia meu avô Manoel Negreiros, “deveria ser melhor”. Uma das falhas do filme é não mostrar o assassinato de Lincoln no teatro Ford. Chega apenas a notícia de que ele fora baleado.
                Numa época em que ainda não existia Internet, guardei algumas anotações que referiam coincidências incríveis entre Lincoln e Kennedy. Cheguei a publicá-las numa crônica que está reproduzida no meu livro “A folga da dobra”. A primeira versão foi publicada em 1964, logo após o assassinato de Kennedy. Plagiando a Globo, vale a pena ler de novo. Reproduzo a lista. O trigésimo item foi acrescentado por mim, portanto é somente uma opinião.
1.       Abraham Lincoln foi eleito para o Congresso em 1846.
2.       John F. Kennedy foi eleito para o Congresso em 1946.
3.       Abraham Lincoln foi eleito presidente em 1860.
4.       John F. Kennedy foi eleito presidente em 1960.
5.       Os nomes Lincoln e Kennedy têm sete letras.
6.       Ambos estavam comprometidos na defesa dos direitos civis.
7.       As esposas de ambos perderam filhos enquanto viviam na Casa Branca.
8.       Ambos os presidentes estavam preocupados com os problemas dos negros norte-americanos.
9.       Ambos os presidentes foram baleados numa sexta-feira.
10.   Ambos os presidentes foram assassinados com um disparo na cabeça.
11.   Ambos os presidentes foram assassinados na presença da esposa.
12.   A secretária de Lincoln chamava-se Kennedy e lhe disse para não ir ao teatro.
13.   A secretária de Kennedy chamava-se Lincoln e ela avisou a ele para não ir a Dallas.
14.   Ambos os presidentes foram assassinados por sulistas.
15.   Ambos os presidentes foram sucedidos por sulistas.
16.   Ambos os sucessores chamavam-se Johnson.
17.   Andrew Johnson, que sucedeu a Lincoln, nasceu em 1808.
18.   Lyndon Johnson, que sucedeu a Kennedy, nasceu em 1908.
19.   John Wilkes Booth, que assassinou Lincoln, nasceu em 1839.
20.   Lee Harvey Oswald, que assassinou Kennedy, nasceu em 1939.
21.   Ambos os assassinos eram conhecidos pelos seus três nomes.
22.   Os nomes de ambos os assassinos têm quinze letras.
23.   Booth saiu correndo de um teatro e foi apanhado num depósito.
24.   Oswald saiu correndo de um depósito e foi apanhado num cinema.
25.   Booth e Oswald foram assassinados antes de seu julgamento.
26.   O assassinato de Kennedy foi filmado por um homem chamado Abraham.
27.   O teatro de Ford era propriedade de um homem chamado John.
28.   Lincoln foi morto no Teatro Ford.
29.   Kennedy foi morto num carro Ford, modelo Lincoln…
30.   Ambos os filmes sobre os dois presidentes, Lincoln e Kennedy, são longos e monótonos.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013



92 anos de Luiz Maranhão.
Tribuna do Norte - 25.01.2013 - P.02
Alexandre de Albuquerque Maranhão - historiador

Militante político de qualidade insuperável, que acreditava profundamente no diálogo e no respeito as diferenças. A figura humana de Luiz Maranhão Filho continuará sendo para sempre a verdadeira representação da solidariedade e do respeito mútuo entre as pessoas. Abdicou de uma vida sossegada e bem remunerada para lutar incansavelmente contra a opressão, as desigualdades sociais e qualquer tipo de discriminação e preconceito entre as pessoas. Verdadeiro patriota, digno de respeito e admiração.

Luiz Maranhão nunca desrespeitou seus adversários políticos. Costumava citar uma frase de Bertold Brecht: "não somos melhores do que ninguém. Melhor é a nossa luta". Também não criticava os companheiros que deixavam para trás a luta política. E afirmava: "para que fazer acusações ou críticas? A medida da coragem de um homem não é a sua ideologia. É ele mesmo". Nunca disseminou o ódio e o pavor contra aqueles que os torturou seguidas vezes. E não foram poucas as atrocidades cometidas contra ele. 

Lutou desde sua adolescência pelas liberdades democráticas, através do Partido Comunista Brasileiro, o qual se filiou em 1945. Participou ativamente a favor da "Campanha do Petróleo é Nosso", promovendo comícios, passeatas e distribuindo de forma clandestina exemplares do jornal Emancipação junto com Djalma Maranhão. A ordem do governo era apreender tudo que falasse a favor do monopólio estatal do petróleo. Foi militante ativo também da "Campanha da Borracha", contra a guerra da Coréia, contra o nazi-fascismo durante a Segunda Guerra Mundial, de todos os movimentos e manifestações populares que defendiam a soberania do Brasil, a autodeterminação dos povos, a liberdade e a democracia. Renunciou a toda e qualquer forma de vida social para lutar pelo que acreditava e defendia. Dizia que: "há de chegar um tempo em que as pessoas não irão passar privações e deixarão de existir as desigualdades". Morreu (desapareceu) acreditando nisso.

Não deixou herdeiro político. Sua vida atribulada, a intensa atividade política e a clandestinidade não lhes deu o direito de ter uma vida em comum com sua amada esposa Odette Maranhão. Tiveram uma vida de sacrifícios, de agonia e de saudades um do outro.

Luiz Maranhão é dessas raríssimas exceções da vida política-partidária de nosso país: coerente, íntegro e honesto. A prática de sua vida cotidiana era o reflexo do que ele pensava e defendia. Democrata no sentido mais amplo: não tinha preconceitos político-ideológicos. Interagia com os militantes sociais de outros credos, de todos os partidos, semeando sempre a tolerância e amizade. Figura querida e bastante respeitada como político, professor de História e Geografia do Colégio Ateneu, advogado e jornalista.

A cota de sacrifício desse bravo e destemido militante político foi enorme e inconcebível. Preso pela primeira vez pelas forças conservadoras em 13 de janeiro de 1948, por ter feito críticas a postura reacionária do governo do presidente Dutra, no jornal Folha Popular, editado em Natal. Pela segunda vez, em dezembro de 1952, foi torturado durante quinze dias na Base Aérea de Natal, por ter denunciado através de reportagens no jornal A Folha do Povo, de Recife, os maus tratos aos presos políticos naquele comando militar. Que mal teria feito esse homem para ser torturado e perseguido tantas vezes? Logo ele que era um defensor incansável da justiça social, da paz, da união entre cristãos e marxistas. Que disseminou a solidariedade entre os povos, a liberdade de expressão e o respeito as diferenças. 

Mesmo enfrentando tantas adversidades ao longo de sua vida, Luiz Maranhão nunca aceitou a ideia de deixar o Brasil. Suas energias estavam voltadas para a criação da Frente Ampla, junção das mais diversas forças políticas para derrotar a ditadura militar. Como também continuava dialogando com os setores progressistas da Igreja Católica para por fim à crise política brasileira, que endurecera no final dos anos de 1960 e durante a década de 1970.

Ajudou com sua vida e com sua morte a derrotar a ditadura militar instalada no Brasil em 1964. Durante todo o período desse difícil e arriscado trabalho, Luiz Maranhão não era visto num mesmo domicílio dormindo duas noites seguidas. Seus algozes não o deixavam em paz. Até que em 27 de março de 1974, ele foi visto pela última vez, na cidade de São Paulo, quando uma patrulha do Exército o prendeu. O governo brasileiro nunca deu a Odette Maranhão qualquer notícia sobre o paradeiro de seu marido. 

O desaparecimento desse norteriograndense, nascido em Natal no dia 25 de janeiro de 1921, foi uma perda irreparável para o nosso estado, no aspecto político, ético e moral. Sua ausência na Política do Rio Grande do Norte e do Brasil deixou uma lacuna grandiosa, que até os dias atuais não foi preenchida e por muitos anos ainda permanecerá aberta.