segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Um pouco da história da resistência estudantil alemã.

> Clique no link abaixo para ler o texto completo:
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> 'A Rosa Branca' resgata história dos estudantes que enfrentaram Hitler
> anca-resgata-historia-dos-estudantes-que-enfrentaram-hitler.shtml
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>
> Folha de S.Paulo
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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Morre ex-militante do PCB.

NOTA DE FALECIMENTO DA UBE/RN
É com profundo pesar que comunicamos o falecimento hoje nesta cidade do Sócio Hononário PEDRO VICENTE DA COSTA SOBRINHO.
Professor universitário, graduado em Ciências Sociais (Sociologia e Ciência Política), portador dos títulos de Especialização, Mestrado Doutorado,  autor de diversos livros nas áreas de sociologia e política: Capital e Trabalho  na Amazônia Ocidental; Exercícios circunstanciais; A desintegração do comunismo soviético; Outras circunstâncias; Vozes do Nordeste; Comunicação Alternativa e movimentos sociais na Amazônia Ocidental. Foi Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras – ANL; Sócio-Correspondente da Academia  Acreana de Letras; do Conselho Estadual de Cultura do RN; Sócio Efetivo da UBE/PE e Sócio Honorário da UBE/RN; Sócio Efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do RN e diversas outras entidades. Militou na vida sindical e política pertencendo ao MDB, PCB e PPS.
Quando da reorganização da UBE/RN em 2006 participou ativamente, contribuindo com sua inteligência para a solidificação da entidade.Apaixonado pela Política e pelo Movimento Sindical, passou uma longa temporada na Russia, aperfeiçoando seus conhecimentos. Quando do esfacelamento da União Soviética, produziu um livro –A Desintregação do Império Soviético- que é um estudo profundo da questão.
Viveu entre o Acre e o Rio Grande do Norte lecionando. Foi assessor do SESC.Foi diretor da Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte tendo feito um excelente trabalho na editoração de livros.
Figura humana  afável, com certeza deixará uma enorme saudade em nossos corações.
O velório será  no Cemitério Morada da Paz. Amanhã 06 de setembro haverá uma cerimônia em sua homenagem. Seu corpo será cremado e as  cinzas jogadas no Acre, conforme pediu.
Natal/RN, 05 de setembro de 2013
DIRETORIA 


Presidente: Eduardo Antonio Gosson

1º Vice-Presidente: Jurandyr Navarro da Costa

2ª Vice-Presidente: Anna Maria Cascudo Barreto

Secretário-Geral: Manoel Marques da Silva Filho,

1º Secretário: Paulo Jorge Dumaresq Madureira

2º Secretário: Francisco Alves da Costa Sobrinho

1º Tesoureiro: Jania Maria Souza da Silva

2º Tesoureiro: Aluizio Matias dos Santos

Diretor de Divulgação: Lucia Helena Pereira

Diretor de Representações Regionais: Joaquim Crispiniano Neto
Diretor Jurídico: Carlos Roberto de Miranda Gomes

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

A ditadura brasileira e a ditadura de Pinochet.


O Brasil de Pinochet

Fonte: Estadão.
SANTIAGO - O expediente no Itamaraty já havia terminado quando, às 20h30 de 13 de setembro de 1973, diplomatas chilenos foram recebidos na chancelaria esvaziada, em Brasília. O presidente Emílio Garrastazu Médici estava em São Paulo, de onde telefonara dando ordens expressas para que o Brasil se tornasse o primeiro país a reconhecer a junta militar que derrubara o governo de Salvador Allende. Um avião com "20 toneladas de medicamentos" estava a caminho de Santiago.

Veja também:

Pinochet e tropas militares no palácio presidencial - Martin Thomas/Reuters
Pinochet e tropas militares no palácio presidencial
"É certo dizer que o novo governo do Chile encontrará no Brasil um poderoso aliado", escreveu, emocionado, no primeiro telegrama à junta militar, o encarregado de negócios chileno em Brasília, Rolando Stein - o embaixador de Allende no País, o jurista Raúl Rettig, que décadas depois chefiaria a comissão da verdade chilena, havia renunciado naquela manhã. Stein acertou na mosca.
Com base em arquivos brasileiros, já se sabia que o governo Médici deu amplo apoio aos conspiradores chilenos antes, durante e depois do golpe que este mês completa 40 anos. Empresários brasileiros enviaram dinheiro a grupos de direita no Chile, o embaixador em Santiago, Antonio Cândido da Camara Canto, atuou como pôde para minar o governo Allende (mais informações nesta página) e, dias após a queda dos socialistas, agentes brasileiros foram enviados ao Estádio Nacional e a outros centros de repressão para prestar "consultoria" a colegas chilenos.
O Estado, porém, teve acesso a centenas de telegramas diplomáticos secretos do Chile recentemente liberados - e inéditos no Brasil - que revelam novas informações sobre o grau e as formas de participação do governo Médici na derrubada do governo da Unidade Popular (UP). Ao longo desta semana, o jornal publicará reportagens exclusivas sobre como o Brasil ajudou a empurrar o Chile para o período mais sombrio de sua história.
Uma das revelações mais impressionantes dos documentos chilenos é que, logo após chegar ao poder, o governo Allende recebeu informações precisas sobre as atividades da ditadura brasileira contra o Chile - incluindo planos para derrubar à força a UP. Segundo um telegrama "estritamente confidencial", um jornalista chileno vinculado ao ex-presidente Jorge Alessandri, de direita, alertou o embaixador de Allende em Brasília que havia sido procurado "por um general brasileiro amigo". O militar lhe propôs ajuda para "organizar no Chile um movimento de resistência armada (...), estruturado em forma de guerrilha, (...) contra o ‘perigo vermelho’."
No mês seguinte, a embaixada recebeu novas e mais detalhadas informações sobre o plano de insurgência no Chile. Desta vez, porém, o alerta partiu de um informante altamente improvável: um oficial brasileiro, "com ideias políticas de esquerda", vinculado ao serviço de inteligência do Exército.
Por meio de um intermediário, o militar fez chegar a um secretário da embaixada chilena a informação de que, dentro do Ministério do Exército, no Rio de Janeiro, funcionava uma sala de operações, com maquetes da Cordilheira dos Andes e mapas, para estudar e planejar uma guerrilha anticomunista no Chile. Brasileiros participariam apenas como instrutores e os combates seriam travados por civis chilenos. Mais: como parte dos preparativos, o Exército do Brasil teria enviado "diversos agentes secretos, que entraram no Chile como turistas".
Um cidadão chileno que viva em São Paulo "e merece toda confiança" também afirmou à missão diplomática que um "corpo do Exército nessa cidade estaria procurando voluntários chilenos para empreender uma aventura bélica" no Chile. A articulação estaria sendo feita com ajuda de integrantes da Fiducia - equivalente chilena à Tradição Família e Propriedade (TFP) - que haviam se mudado para São Paulo.
Embaixador suíço. O militar brasileiro, cuja identidade não é revelada nos documentos, passou outro recado importante ao governo Allende. Entre os 70 "subversivos" brasileiros que foram ao Chile no ano anterior, trocados pelo embaixador suíço, Giovanni Bucher, havia dois espiões do Exército brasileiro. A governo Médici havia deliberadamente atrasado a negociação para libertar os presos políticos com o objetivo de colocar os infiltrados em território chileno. Lá, eles deveriam coletar informações e se comportar como "agentes provocadores".
À época, cerca de 5 mil exilados brasileiros viviam no Chile, onde conduziam intensas atividades de denúncia à ditadura. Os documentos chilenos mostram que o embaixador do Brasil em Santiago, Antônio Cândido da Câmara Canto, várias vezes apresentou protestos formais ao governo em razão de artigos e declarações de opositores brasileiros à imprensa local. Vários brasileiros que estiveram no Chile, consultados pelo Estado, disseram que muito provavelmente eles eram monitorados por meio de espiões.
O embaixador de Allende no Brasil chama atenção para o caso de duas senhoras brasileiras, parentes de exilados, que foram presas pela Aeronáutica no Aeroporto do Galeão, no Rio, ao desembarcarem do Chile, no dia 19 de janeiro daquele ano. Elas traziam cartas de brasileiros exilados, incluindo uma mensagem de Almino Afonso, ex-ministro do governo João Goulart, ao deputado Rubens Paiva. O embaixador chileno em Brasília acreditava que elas haviam sido delatas por informantes da ditadura entre os brasileiros em Santiago. No dia seguinte ao caso no Galeão, Rubens Paiva foi preso em sua casa por agentes que se diziam da Aeronáutica.

 

sábado, 24 de agosto de 2013

A verdade verdadeira

“Tudo que eu não invento é falso...”
(Manoel de Barros - Poeta)

Ser escritor tem dessas coisas, de repente, do nada, aparece na nossa frente uma cena, uma imagem, uma história... Em certa manhã, Hegel, filósofo alemão, entra na sala de aula carregando uma caixa de sapato debaixo do braço. E antes mesmo de algum aluno lhe perguntar espantado: “Professor, o que é isso?!”, ele logo explica: “Eis a VERDADE, caros alunos! E de onde vocês estiverem nesta sala, no máximo conseguirão enxergar apenas três lados dela. Portanto, acreditem: vocês nunca serão capazes de vê-la por inteiro!”.
Agora fica fácil de saber o porquê de a verdade vir da origem de três palavras: Aletheia, Veritas e Emunah... E acredito até que cada uma delas tenta explicar um dos lados das três meias-verdades que enxergamos... Assim, para os gregos antigos, a verdade era algo sempre relacionado com a visão, afinal Aletheia significava: não escondido, não oculto... mas, o danado é que se a verdade vem dos olhos, Saint-exupéry a nega dizendo: “Só se enxerga bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”. E como enxergar a verdade, se quase sempre temos um coração de pedra, ou pior: nem coração temos?!...
Ah! Vamos, então, tentar buscar a verdade através da palavra latina Veritas que significa: rigor ou exatidão entre o relatado e o ocorrido?! Ilusão passageira, não é mesmo?!  Pois logo vem Cristo para desmentir os latinos quando afirma: “O mal é o que sai da boca do homem”. E ele tem razão. Pesquisa, cientificamente comprovada, relata que a cada 10 minutos, o homem mente três vezes... é claro que este trabalho não incluiu ninguém de Brasília... e eu nem quero saber de fazer o cálculo de quanto eu já menti desde que nasci. Por isso, discordo totalmente de Shakespeare que dizia: “A brevidade é alma da inteligência”. Não! A brevidade é a alma da honestidade, pois quanto menos eu falar, menos mentira eu vou di zer... O silêncio é mesmo a sabedoria dos sábios! (Ou seria: a sabedoria dos honestos?!).
Resta-nos agora recorrermos aos filhos de Israel para encontrarmos a verdade, através da palavra Emunah que significa: fé, confiança... Assim, a verdade é aquilo que eu acredito. Mas, o danado é que nem todo mundo torce pelo Atlético Mineiro, para ficar o dia todo: “Eu acredito! Eu acredito!”. E existem até alguns mineiros que não levam mesmo fé na sua crença. E aqui na nossa cidade temos um exemplo claro disso, que é o Deputado Fernando Mineiro, do PT: se ele - e o seu partido- tivessem botado fé na sua candidatura, o Prefeito de Natal, hoje, seria outro...
Mas mesmo o Emunah - não sendo 100% fiel à verdade -, eu (não sendo mineiro, e sim potiguar) acredito que existe um lado que Hegel poderia ter explorado mais: o lado de dentro da caixa... No filme Don Juan DeMarco, uma das passagens mais interessantes é quando o psiquiatra, interpretado por Marlon Brando, pergunta a freira e mãe de Don Juan: “A senhora traiu mesmo o seu marido?!”. E a resposta foi: “Doutor, a verdade está dentro do senhor!”.
Pois é caro leitor, acredite: a verdade é o que está dentro de cada um! Por isso, vou agora dizer as minhas verdades verdadeiras. E como eu sei que “as verdades são como as rosas e têm espinhos”, espero que ninguém fique chateado ou ferido com elas, já que elas são só as minhas, apenas as minhas verdades... Ah! E é através delas que eu consigo me libertar: “Conhecereis a verdade e a verdade vós libertará!”...
A minha primeira verdade verdadeira é que eu tenho sempre que acusar os políticos por tudo de ruim que me acontecer. Afinal, no dia da eleição, eles não entram comigo na cabine de votação, pegam o meu dedo à força e me obrigam a confirmar sempre e sempre o voto neles?! Não é assim?! Pois então, nada mais justo, deles pagarem o pato...
A minha segunda verdade verdadeira é que eu tenho mesmo de ser contra a vinda de médicos estrangeiros para o nosso país, afinal, vai que dá certo a medicina preventiva e aí como é que eu vou justificar a minha revolta pela falta de dinheiro na saúde?! Afinal, precisamos de mais e mais dinheiro, que se “perderão” nas licitações da compra de mais e mais ambulâncias para transferirmos mais e mais dos nossos doentes do interior, para os corredores abarrotados dos hospitais da capital... Aliás, por falar em ambulâncias, estão faltando sim, elas no Serviço de Atendimento Móvel às Urgências (SAMU). Pois, pelos meus modestos cálculos, deveríamos ter pelo menos uma ambulância em cada rua, ou melhor: uma ambulância em cada casa, pois assim, eu e meus amigos ficaríamos mais tranquilos para enchermos a cara de álcool, e depois dirigirmos as nossas motos a 1000 km/hora, para nos arrebentarmos no primeiro poste que encontrássemos pela frente... Afinal saúde não é um direito de TODOS e um DEVER do estado?! Por que não todos não pagarem a conta, minha e dos meus colegas, por esta irresponsabilidade solidária?!
A minha terceira verdade verdadeira é que estão faltando sim, leitos de UTI em todas as cidades. Acho até que deveríamos construir dois leitos de UTI por cada casa. Afinal, eu não tenho que colocar, MESMO SEM NENHUMA INDICAÇÃO, os meus pais para morrerem lá?! Já que eu não dei assistência a eles durante a vida toda, porque eu vou ficar cuidando deles na hora da sua morte?! Se, estão faltando leitos de UTI para os que verdadeiramente precisam: isso não é problema meu, pois saúde é um direito de TODOS e um DEVER do estado... e todos tem o dever de pagar pela minha saúde mental: o que os olhos não veem, o coração não sente, não é mesmo?!
A minha quarta verdade verdadeira é que, quando eu reprovar um aluno, a culpa será sempre dele: não estudou; não prestou atenção a aula... assim, ninguém vai descobrir que eu não fui capaz de estimulá-lo, que eu não fui capaz de ensiná-lo nada de significativo, nada de útil para mudar a vida dele e nem de ninguém da sua comunidade, pois eu só sei “ensinar” o que eu aprendi durante a minha pós graduação: A influência da formação das nuvens no humor dos gafanhotos da Malásia... Bem caro leitor, não preciso mais continuar dizendo as minhas verdades verdadeiras, pois vocês já perceberam que eu adoro mesmo é ver sempre o cisco no olho do meu vi zinho...
P.s. Espero que, em 10 minutos, vocês consigam ler este artigo, afinal preciso ficar só com três mentiras... Mas, se eu mentir muito caro leitor, nem vou ficar com tanto remorso, pois Mario Quintana já dizia: “A mentira é só uma verdade que se esqueceu de acontecer”, não é mesmo?!

Francisco Edilson Leite Pinto Junior– Professor, médico e escritor.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

  • RAMALHO LEITE

    RAMALHO LEITE

    Ex-deputado estadual e Superintendente do Jornal A União, jornalista, escreve em vários veículos de comunicação
  • 17.08.2013 | Autor: RAMALHO LEITE

    Catolé do padre e do frade - Ramalho Leite

    Acompanhei por alguns anos a vida de Catolé, bem instalado na minha cadeira de deputado, ouvindo os debates entre o padre Américo Maia e Frei Marcelino de Santana, do mesmo credo religioso mas de pensamentos políticos antagônicos. O padre era da tradicional família Maia, cujo poderio econômico e político se mantinha há mais de quarenta anos.Eis que chega a Catolé, “um fradezinho despretensioso” a quem não deram importância. Virou notícia quando juntou-se aos “moleques-de-rua” e, de batina e tudo, foi jogar futebol e pegou um pênalti. Demoraria muito a fazer o seu primeiro gol.
    Tinha simpatia pela luta do Frei, apesar de correligionário e colega de partido do Padre. É que a peleja daquele se
    assemelhava à minha, ele no sertão e eu no brejo.Não é fácil enfrentar uma estrutura de poder alicerçada por fortes vigas, principalmente, em uma época em que as liberdades eram controladas por patentes e galões. A luta do Frei lhe deu poder e voto, e as oposições de Catolé se fizeram ouvir na Casa de Epitácio Pessoa.
    Rememorei essa disputa sadia entre o Padre e o Frade pelo melhor para Catolé, no ultimo sábado, quando uma elite intelectual vinculada àquela cidade, nascidos ali ou agregados, publicaram Catolé do Rocha em Muitas Lentes, uma coletânea de textos sobre a evolução econômica, política e cultural da cidade banhada pelo rio Agon, “cansado de caminhar” e “narrando seu destino, seu penar”. Há tempos não assistia a uma festa tão cheia de emoção e de saudade. O
    prefeito Leomar Maia e o Chico Cezar não sabem o que perderam.
    O livro descreve a geografia do município, sua história desde os índios Pegas, da nação Cariri; seu nome, com o prefixo tupi Katu ( de Katu’re) que tem o significado de bom e saudável,vem mesmo da palmeira que produz um pequeno fruto, vendido nas feiras como “rosário-de-côco-catolé”, segundo ensina Luiz da Câmara Cascudo, citado por Edna Ribeiro. A que Natercia Suassuna acrescenta:“Catolé, pela abundância da palmeira e do Rocha, em homenagem ao seu fundador” ... Francisco da Rocha Oliveira. “Foi o Catolé desse Rocha que mais tarde tomou vida e caráter nuclear, situado que estava na vertente do rio Hiagô, Hiagon, Ogon ou Agon” esta ultima a que permanece, no dizer de Celso Mariz.
    Lembrei acima os meus colegas de parlamento. Mas o que me levou à festa dos catoleenses foi o meu colega da Faculdade de Direito, José Tarcisio Fernandes, um dos autores do livro e que nos brinda com a epopeia de românticos e ousados estudantes sertanejos que pretenderam ensaiar uma guerrilha nas serras de Catolé. Apurados os fatos, se descobriu que na verdade os jovens vanguardistas desejavam mesmo era se isolar do mundo e construir outro, na Serra do Capim Açu, longe das amarras e violentas repressões em evidência na época. Tudo não passou de uma Colônia de Férias de três estudantes, embora o promotor militar tentasse, em vão, transformar uma caçada em atividade subversiva, já que a arma dos meninos era um livro de Che Guevara...
    Notei no livro a ausência do padre Américo Sergio Maia, do Instituto Histórico e fundador do Instituto de Genealogia e Heráldica através do qual encomendamos a confecção do Brasão da Cidade de João Pessoa, homologados em lei por Dorgival Terceiro Neto e criadas por beneditinos radicados na Bahia.
    Voltando a Catolé, está registrado também que sua fama de aguerrida serviu, pelo menos, para afastar de Lampião a tentação de invadir a cidade. Que a semente da educação plantada pelo Frei, em Catolé, e a sua revolução pela paz, não se perca no deserto,como parecia o grito do Monte Tabor: “ Despertai vós todos os que dormis o sono solto da indiferença e do conformismo . Começa neste instante a Revolução Cultural pela Paz”. O Frei
    começou pegando um pênalti e terminou fazendo gol.
    Fonte: blog do pedro marinho. blogspot.com e Google.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Cantigas de Resistência ou a voz de um povo que não umedeceu. Catolé do Rocha nos anos 60/70.

O potiguar Francisco Muniz de Medeiros , Frei Marcelino de Santana, natural de Santana do Matos/RN, ficou na história de Catolé do Rocha, na Paraíba, na época em que dominava do coronelismo de baraço e cutelo, as brigas dos Maia e Suassuna, da politicagem e a corrupção desenfreadas. Em 1991, publicou o livro contando a história em versos, a sua luta contra o atraso e o analfabetismo, construindo escolas profissionalizantes e arregimentando o povo para os trabalhos em favor da comunidade, principalmente dos pobre.
Um destaque é a sua integração e conscientização com os estudantes de Catolé do Rocha, fortemente influenciados pelas idéias socialistas. 1968 foi um ano de lutas dos estudantes. Um movimento radical tencionava implantar um núcleo de guerrilha na região, influenciado pela chama heroica de Che Guevara. os "guerrilheiros" de Capim-Açu, um serrote nas cercanias da cidade, fizeram treinamentos de sobrevivência no mato (caatinga, mato rasteiro), mas foram desbaratados por um policial militar que exercia as funções de delegado de Catolé do Rocha. Prisões domiciliares, interrogatórios, processos em auditoria militar e repressões ocorreram antes do AI-5 de 13 de dezembro de 1968.
A propósito, já está circulando o livro "Catolé do Rocha - coletânea em muitas lentes", editado sob a organização de Ana Lúcia Gomes Melo, mas isso é outra história.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Dermi Azevedo na Carta Maior:

CIA manteve colaboradores dentro da Igreja Católica no Brasil

O auge dessa colaboração aconteceu entre os anos 1960 e 1985, no período prévio ao golpe militar de 1964 e durante toda a vigência da ditadura. Fontes de dentro da Igreja revelam que a CIA cooptou até assessores do ex-arcebispo do Rio D. Eugênio Salles, morto em 2012, com a missão de abastecer Washington com informações sobre a atuação das Ligas Camponesas do Nordeste. Por Dermi Azevedo

  • A Agência de Inteligência dos EUA (CIA) espiona, desde os anos 60, todas as atividades da Igreja Católica Romana no Brasil, por meio de colaboradores diretos e indiretos. Os diretos são membros da Igreja que voluntariamente prestam serviços a essa. E os indiretos são assessores das pastorais católicas infiltrados pelo serviço secreto dos EUA em atividades eclesiásticas.

As informações são de diversas fontes da Igreja ouvidas pela reportagem, e que pediram para não terem seus nomes revelados.

O auge dessa colaboração aconteceu entre os anos 1960 e 1985, ou seja, no período prévio ao golpe militar de 1964 e durante toda a vigência da ditadura. Perdurou também essa vigilância durante a transição para a democracia e continua até hoje, tendo Brasília como a base principal das operações de espionagem.

Durante os anos 60, a principal base operativa da CIA na Igreja brasileira foi Natal, capital do Rio Grande do Norte. A operação fixou-se no Movimento Natal, liderado pelo ex-arcebispo do Rio de Janeiro D. Eugênio de Araújo Sales, que, nessa época, administrava a Igreja Católica em Natal.

A CIA cooptou assessores de D. Eugênio – principalmente estudantes e profissionais do campo das ciências sociais –, com a missão de abastecer Washington de informações sobre a atuação das Ligas Camponesas do Nordeste. 

As ligas haviam sido criadas e dirigidas pelo socialista Francisco Julião, considerado um dos "inimigos públicos" do governo militar ao lado de Leonel Brizola, no Rio Grande do Sul, e de Carlos Marighella, na Bahia.

Um assessor da CIA monitorava todas as atividades dos bispos e das dioceses nordestinas. A vigilância estendia-se, porém, aos demais Estados, nas várias representações regionais da CNBB.

Na base potiguar a CIA era informada diariamente por assessores de D. Eugênio, que monitoravam inclusive as suas palestras e discursos. Mas esse controle também foi feito nos anos 70 e 80.

Na administração do arcebispo D. Nivaldo Mont, a agência costumava gravar sigilosamente todas as reuniões ordinárias e extraordinárias do episcopado. Entre elas, inclui-se uma palestra do então governador nomeado do Rio Grande do Norte Cortez Pereira. 

Reunido com os bispos no Centro de Treinamento de Líderes da arquidiocese de Natal, na praia de Ponta Negra, Cortez fez críticas a um modelo de desenvolvimento que qualificou como excludente e elitista. No dia seguinte, foi intimado para comparecer a Recife, onde foi questionado pelo Comando Militar do Exército do Nordeste sobre seu pronunciamento.

A CIA acompanhou também o apoio da Aliança para o Progresso, instituída pelo presidente John Kennedy, a projetos ligados à igreja nordestina, principalmente dos setores rural e sindical nesse período. O Rio Grande do Norte recebeu a visita do Secretário de Justiça dos EUA, o senador Roberto Kennedy, irmão do presidente, e que também foi assassinado anos depois.

Além do apoio aos projetos sociais da Igreja, o Governo Kennedy também enviou várias toneladas de alimentos, que foram distribuídas em comunidades rurais potiguares. Foram também incluídas na lista de doações várias paróquias, inclusive o Seminário de São Pedro, principal escola de formação do clero norte-rio-grandense.