sábado, 5 de julho de 2014

Cultura

Manifesto de Hitler "Mein Kampf" deve permanecer banido

Políticos alemães zelam para que impressão do manifesto nazista permaneça proibida, mesmo depois de ele cair em domínio público. Historiadores se empenham por uma edição comentada, em nome do esclarecimento.
Há anos um debate exalta os ânimos na Alemanha: deve-se permitir que Mein Kampf(Minha luta), o manifesto escrito pelo ditador nacional-socialista Adolf Hitler, volte a ser impresso e vendido no país? E, caso negativo, há pelo menos a possibilidade de uma edição histórico-crítica?
Seja entre os deputados do Bundestag, no Conselho Central dos Judeus na Alemanha ou na Associação dos Historiadores Alemães (VHD), o tema volta a suscitar debate. Pois em 2015, portanto 70 anos após a morte do autor, encerra-se a proteção a seus direitos autorais em toda a Europa. Assim o livro de Hitler entra em domínio público, podendo, em princípio, ser reproduzido e distribuído por qualquer pessoa.
Na mais recente conferência dos secretários estaduais de Justiça alemães, a questão foi debatida e se chegou a uma decisão: independentemente da questão dos direitos autorais, a publicação da obra será proibida com base em normas legais já existentes, tanto de proteção à Constituição alemã como contra a discriminação de minorias.
Assim, foi descartada a ideia de se criar uma lei especial para regulamentar a questão, como se considerara inicialmente. Segundo o secretário da Justiça da Baviera, Winfried Bausback, os chefes de pasta concordam unanimemente que se deverá impedir a propagação não comentada do texto. Faltou esclarecer como serão tratadas eventuais edições comentadas.
Possibilidade de uma edição crítica
O Instituto de História Contemporânea (IfZ, na sigla em alemão), em Munique, trabalha desde 2009 numa versão historicamente comentada do livro, com apoio financeiro da Baviera. Até agora, esse Estado alemão detém os direitos autorais e de publicação do livro, que adquiriu após a Segunda Guerra Mundial. Desde então, ele os tem utilizado para evitar qualquer publicação e, assim, a disseminação da ideologia nazista.
Os pesquisadores do renomado instituto de Munique pretendiam publicar seu trabalho simultaneamente à expiração dos direitos autorais de Mein Kampf, fechando, assim, uma das principais lacunas na pesquisa da história contemporânea.
De fato: na Alemanha se fala muito sobre o livro de Hitler, porém há pouco conhecimento fundamentado sobre ele. Apesar de ser o único documento de teor autobiográfico do líder nazista, faltam análises aprofundadas das origens, da estrutura e, sobretudo, das repercussões do panfleto de incitação popular em sua época.
O autor e sua controvertida obra em cartaz publicitário da época
Entre esclarecimento e proscrição
Até hoje, mantém-se a lenda do "best-seller não lido", segundo a qual milhões teriam comprado Mein Kampf (ou ganhado de presente), mas poucos o teriam realmente lido. "O mito do livro não lido é, em primeira linha, produto de antigos partidários de Hitler. Um mito que, depois de 1945, servia bem às estratégias de justificação dos primeiros anos do pós-Guerra, e que teve um efeito de longa duração", diz o historiador Othmar Plöckinger em seu estudo sobre a história do livro, lançado há alguns anos pelo IfZ.
Uma edição histórico-crítica do escrito de Hitler teria também como finalidade esclarecer essa questão da recepção na sociedade da época. Tal é também a visão da associação de historiadores VHD, que se empenha agora para viabilizar a publicação do IfZ. Como declarou ao jornal Neue Osnabrücker Zeitung, a associação considera essa edição importante, não só para a pesquisa, mas também para uma cultura histórica esclarecida. A publicação de uma edição crítica é a melhor forma de combater a mitificação perigosa do livro de Hitler, defende a VHD.
No entanto, já em dezembro de 2013, o governo bávaro anunciou o fim do apoio financeiro ao projeto de pesquisa do Instituto de História Contemporânea. O livro teria "caráter de agitação popular", argumentou, e uma edição crítica sob a égide da estado da Baviera seria incompatível com seus esforços para proibir o Partido Nacional Democrático da Alemanha (NPD, ideologicamente próximo ao NSDAP de Hitler).
A decisão contou com o apoio da ex-presidente do Conselho Central dos Judeus na Alemanha Charlotte Knobloch: "O libelo de Hitler é entremeado de ódio e desprezo humano e, de acordo com especialistas, preenche todas as características de uma agitação popular."
O problema da internet
Tradução de "Minha luta" em idioma sérvio
Na internet, entretanto, estão disponíveis gratuitamente longos trechos do manifesto de Adolf Hitler, sem que a Justiça alemã possa fazer muito para impedi-lo. Em plataformas que operam legalmente no país, como o Ebay, podem-se adquirir edições antigas de Mein Kampf – as quais, naturalmente, não trazem qualquer comentário crítico.
Em muitos países o polêmico livro é até mesmo vendido em qualquer livraria, sem restrições. Diante de tal quadro, impõe-se a questão se proibir a versão impressa não seria uma medida anacrônica. O debate sobre uma edição crítica do livro, por sua vez, inclui a questão política decisiva sobre a forma geral de lidar com o Mein Kampf: estariam os alemães, quase sete décadas depois da guerra e do Holocausto, civicamente "maduros" o suficiente para não se deixarem seduzir por esse panfleto?
Por ocasião do lançamento, no final de 2013, da biografia Adolf Hitler: Die Jahre des Aufstiegs (Os anos da ascensão), de sua autoria, o historiador Volker Ullrich expressou uma posição bem definida no debate sobre Mein Kampf: "A crença de que esse libelo ainda irradie algum perigo nos dias de hoje, é uma noção absurda."

DW.DE

domingo, 8 de junho de 2014

Pela-bucho e Vira tripa.

Por Geraldo Anízio*
A maior universidade de política é o Rio Grande do Norte. Lá teve os maiores acadêmicos da história de Café Gilho ao Papa Jerimum. O mais comum  linguajar  criados de casos populares, foram aproveitados como slogan em campanhas invencíveis. Os candidatos ganharam apelidos conforme as características individuais de cada um. Dinarte Mariz por ser branco e de pele clara, os adversários apelidaram de Rato Branco, Aluízio Alves, chamaram-no de Cigano Feiticeiro por ter derrotado Dinarte à reeleição de 1961 a 1966 e, por dizerem que  Aluízio só tinha um pulmão e, de voz rouca, apelidaram-no de Bode Rouco. Dinarte na campanha para governador nos anos 60s, segundo informações populares, havia ele dito caso ganhasse a eleição de Aluízio Alves, fecharia a Lagoa de Manoel Felipe em Natal. Não deu outra, foi o estopim da tomada de campanha do candidato adversário Aluízio. O povo começou a chamá-lo de  Fechador e, Dinarte perdeu feio para Aluízio Alves o candidato da Esperança.
Mons. Walfredo Gurgel, não foi diferente, criticado por ser sacerdote e candidato ao governo do Estado. Por ser conservador e andar popularmente de batina, as más línguas não pouparam o vigário. Compuseram logo uma música em que havia um trecho que dizia: Quem foi  que disse/ Que deus mandou /Homem de saia / Pra  ser Governador.
Da crítica ao Monsenhor Walfredo rendeu-lhe o Governo do Rio Grande do Norte. No interior a coisa fica mais brava e os partidos divergem com bandeiras na frente das casas, e as cores verde e encarnado. Essas cores na política não podem e nem dever ser misturadas. Cada um para o seu lado. Em Caicó, as campanhas efervesceram as pessoas mais pela paixão do partido que pelo candidato.
O populismo trazido por Aluízio e Dinarte transformou-se em fanatismo político a ponto de eleitores apostarem, brigarem e morrerem pelos candidatos partidários. Por causa dessas acirradas disputas eleitoreiras, gerou entre adversárias termos engraçadíssimos. Duas mulheres trabalhavam na matança fazendo limpeza dos fatos dos bois e vacas mortos ali. Uma limpava as tripas, a outra pelava os buchos. Numa desavença por discussões políticas, um delas chamou a outra de: "Você é uma vira-tripa! A outra não ficou por baixo e respondeu: E você! Sinha pela-bucha!
A partir dessa discussão estava criado o pseudônimo dos eleitores adversários fanáticos por seus partidos. Quem  fosse do partido de Manoel Torres, também  apelidado de Mané Panela, era Pela-Bucho; se fosse do lado de Vivaldo Costa, também apelidado de Mãe Pobre ou Papa Jerimum, chamaria de Vira-Tripa.
Francisco de Assis Medeiros, candidatou-se a prefeito de Caicó, sendo vesgo, logo o apelidaram de Burra Cega e não deu outra, o apelido mais a paródia feita por Morais:Arena Verde não vá roer, eu vou fazer de barro um prefeito pra você. Burra Cega foi eleito prefeito de Caicó nos anos 70s.
Isso é só um pouco da  política no sertão do Seridó! E você de qual lado era?
*Geraldo Anízio, seridoense, poeta, educador, é radicado em Rondônia. Texto publicado em seu blog.


--
Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 6/08/2014 10:07:00 AM

terça-feira, 13 de maio de 2014

O militante DERMI AZEVEDO em DVD.

DVD DO MILITANTE POLÍTICO DERMI AZEVEDO É LANÇADO 
EM NATAL PELA DHNET E COMITÊ DA VERDADE

Será lançado no próximo dia 16 de Maio, sexta-feira, a partir das 18:00h, no Auditório do IFRN, Cidade Alta, Centro de Natal-RN, o DVD Multimídia que conta a trajetória do militante e ativista de Direitos Humanos, jornalista potiguar DERMI AZEVEDO.

O evento segue a continuidade da Coleção Memória das Lutas Populares no RN, sendo o título número 03 de uma série de publicações produzidas pela DHnet - Rede Direitos Humanos e Cultura em parceria com o Comitê Estadual da Memória, Verdade e Justiça do RN e Comissão Municipal da Verdade.
O DVD conta com depoimentos, fotos, perfil, links e informações sobre a vida do militante e ex-preso político DERMI AZEVEDO.

Este bravo lutador trabalhou, entre outras publicações, nos jornais Diário de Natal, Tribuna do Norte, A Ordem, Salário Mínimo, Visão, Manchete, Fatos & Fotos, VEJA, Isto É (da qual foi correspondente na Itália), Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Informations Catholiques Internationales , da França.

 Como pesquisador, fez especialização em Relações Internacionais, na FESPSP, sobre a política externa do Vaticano, tornando-se, em seguida, Mestre em Ciência Política, na USP, com dissertação sobre a colaboração de agentes religiosos com a repressão de 1964/1985 e Doutor nessa mesma Universidade, com uma tese sobre Igreja Católica e Democracia.

Foi presidente da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Natal. Fundou e presidiu também a Cooperativa dos Jornalistas de Natal e Natal foi um dos representantes brasileiros na II Conferência Mundial de Direitos Humanos, realizada, pela ONU, em 1993, em Viena, Áustria. Atualmente Dermi reside em Belém, no Estado do Pará.

Maiores informações:
Contatar Roberto Monte ? Tel. 3201-4359 / 3211-5428 e 9977.8702 WhastApp
Aluízio Matias ? 8721-7705




domingo, 4 de maio de 2014

A Maçonaria Anarquista.

O anarquismo está na moda? Pelas pichações espalhadas pela cidade, nos
últimos meses, após a rebeldia dos "Black Blocs" e Cia., se deduz que
radicalismo esquerdista cresceu nas grandes capitais.
A propósito, está à venda em Natal o livro de Roberto Aguillar M.S.
Silva, "A Maçonaria Anarquista", recentemente lançado pela "A Trolha",
editora maçônica. O título me surpreendeu, pois nunca tinha lido ou
ouvido falar em maçons anarquistas, já que é tradição maçônica o
respeito às leis e aos governos, seja lá qual for a ideologia.
Mas o livro de Roberto Aguillar traz muitas informações sobre a
história da maçonaria anarquista no Brasil Itália, Espanha, Portugal e
França.
Argemiro Cunha, representante comercial da editora no Rio Grande do Norte, está vendendo o livro. Contactos: (84) 9968.9695 - 9401.5159 - 8779.5704).
Também está circulando, desde janeiro passado, outro livro que pode causar polêmica nos meios intelectuais do país: Maçonaria e Partido Comunista do Brasil, de autoria de Jeferson Soares de Carvalho.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Os jornais impressos se acabarão em 15 anos.

Fundador e ex-diretor do El Mundo diz os meios em dificuldades devem ter cuidado com as dependências dos poderes políticos e económicos 
Fonte: dn.pt

Pedro J. Ramírez dita sentença: "Dentro de 15 anos não haverá jornais impressos"

Pedro J.Ramirez dita sentença:
Ramirez foi diretor do El Mundo
Diana Quintela
30/04/2014 | 15:34 | Dinheiro Vivo
"Em Espanha e Portugal, dentro de 15 anos não haverá jornais impressos". A sentença foi dada por Pedro J. Ramírez, fundador e ex-diretor do jornal espanhol El Mundo. O jornalista de 62 anos falava esta terça-feira na conferência "O Poder dos Media", organizada pela GCI, no âmbito do seu 20.º aniversário, na Universidade Nova de Lisboa.
Ler mais: GCI. 20 anos, 10 campanhas
Bem disposto e cheio de humor, perante uma plateia composta maioritariamente de estudantes de comunicação social e jornalistas, o director durante 25 anos do diário espanhol aponta as razões da tão anunciada "morte do papel."
Desde logo, a revolução tecnológica, que está a impor uma mudança profunda ao nível dos hábitos de consumo de informação, que passa pela Internet, via PC, tablets e, no futuro, smartphones.
Com a fuga de leitores para estes meios e das receitas publicitárias para o Google ou Facebook, aos grupos de comunicação não resta senão cortar: no número de jornalistas e no budget para trabalhos de qualidade. "E quando isto acontece nos países do sul, em dificuldades, dá-se a tempestade perfeita", diz Pedro J. Ramírez.
Como prova desta tendência de  degradação, J. Ramírez aponta: Nos EUA, em 2010, os jornais tiveram uma receita publicitária igual à de 1950, ou seja "um retrocesso de 60 anos."
E o pior é que a situação não vai melhorar, pelo menos, para a imprensa tradicional, pelo que Pedro J. Ramírez avisa que é preciso ter cuidado com as dependências dos poderes políticos e económicos instalados. Sob pena de sair a perder o leitor.

terça-feira, 29 de abril de 2014

DHNET E COMITÊ ESTADUAL DA VERDADE-RN LANÇAM NOVO DVD MULTIMÍDIA COM DEPOIMENTOS DE FLORIANO BEZERRA

Será lançado no próximo dia 01 de Maio, quinta-feira, a partir das 16:00h, no Bardallos Comida e Arte, Rua Gonçalves Ledo, 678, Cidade Alta, o DVD Multimídia que conta a trajetória do militante sindical e ex-Deputado Estadual, FLORIANO BEZERRA.

O evento segue a continuidade da Coleção Memória das Lutas Populares no RN, sendo o título número 02 de uma série de publicações produzidas pela DHnet - Rede Direitos Humanos e Cultura em parceria com o Comitê Estadual da Memória, Verdade e Justiça do RN e Comissão Municipal da Verdade.

O DVD conta com depoimentos, fotos, perfil, links e informações sobre a vida do militante sindical e ex-Deputado Estadual FLORIANO BEZERRA, um combatente que lutou contra a Ditadura Militar e foi um dos líderes das Ligas Camponesas no nosso Estado. Recentemente FLORIANO BEZERRA teve o Mandato de Deputado Estadual reestabelecido através de uma iniciativa do Deputado Estadual Fernando Mineiro.

A festa de lançamento vai iniciar-se às 12:00h, quando teremos o aniversário de 19 anos da Rede DHnet, com direito a um bolo comemorativo e o tradicional apagar de velinhas.

Maiores informações:
Contatar Roberto Monte ?  3201-4359 / 3211-5428 e 9977.8702
Aluízio Matias ? 8721-7705
Bardallos Comida e Arte ? 3211-8589

domingo, 13 de abril de 2014

Cuba está caminhando para a economia de mercado?

Mundo

Contradições fazem de Cuba um país entre dois mundos

Governo Castro vem promovendo série de reformas econômicas, mas impressão é de que ilha dá dois passos à frente e um para trás. Dissonância entre o ideal de uma sociedade sem classes e a realidade torna futuro incerto.
O pavilhão vazio por trás das grades de ferro é sintomático. Poucos meses antes, em dezembro, nele se aglomeravam barracas de pequenos comerciantes. A maioria vendia roupas por conta própria. E riscos também próprios.
Mas em janeiro de 2014 entrou em vigor uma lei com a qual o governo de Raúl Castro quer combater o que considera o uso abusivo dos novos direitos conquistados pelos cubanos. Por exemplo, costureiras autônomas não podem mais vender roupas importadas, um negócio que prosperou nos últimos meses. Consequência: o pavilhão está agora vazio.
Dois passos para frente, um para trás. Assim avança a ilha caribenha em direção à nova era. Em 2008, Raúl, irmão de Fidel Castro, assumiu o governo. Ele é considerado mais pragmático e mais aberto a mudanças, dando início a uma série de reformas econômicas. Entre elas está, por exemplo, a permissão de que cubanos possam, de forma autônoma, exercer cerca de 200 profissões.
Eles podem ganhar dinheiro com seus próprios restaurantes luxuosos ou, de forma mais simples, recarregando isqueiros. Em 2013, o número de trabalhadores autônomos chegou a 450 mil. Mas não podem ser empresários. Segundo a diretriz oficial do governo, embora sejam a expressão de uma transformação, esses trabalhadores não devem ser precursores do capitalismo: têm que se limitar a preencher o que o Estado não pode executar.
Algo está se movendo em Havana. Mas não de forma radical: depois de apenas dois anos, as reformas retrocederam para alguns dos autônomos. Além das costureiras, também os operadores privados de cinemas 3D perderam as suas licenças – e o dinheiro que investiram na tecnologia.
Kuba Havanna Straßenansicht Cena de rua no centro de Havana: comerciantes, sim; empresários, não
Duas moedas
Através da questão do dinheiro, pode-se facilmente entender que Cuba vive entre dois mundos. Há duas moedas: o peso cubano (CUP) e o peso conversível (CUC).
O CUC foi introduzido em 1994 como uma alternativa ao mercado negro do dólar americano. Hoje é atrelado ao dólar e é nada menos que uma espécie de Bezerro de Ouro: com ele, é possível comprar tudo, até produtos importados. Mas não se chega a ele através de empregos estatais.
Os cubanos recebem os salários estatais em pesos cubanos: em média, 470 pesos mensais (45 reais). Com esse dinheiro, é possível comprar um pequeno número de mercadorias baratas, como arroz, frango e açúcar. Para macarrão, carne de gado ou chocolate, é preciso pagar em CUC. Para chegar ao CUC, os turistas são a melhor fonte, já que eles precisam do peso conversível para pequenas despesas diárias.
Kuba Havanna Oldtimer Carros antigos sem peças de reposição
Em consequência, os médicos preferem vender pizza a trabalhar nos hospitais estatais. Os professores preferem cuidar dos hóspedes de pensão a lidar com os alunos. Assim, eles ganham muito mais – e na moeda "certa". O governo Castro está ciente das distorções da economia. Em outubro de 2013, anunciou o fim do sistema dual. Mas esse passo parece ser algo particularmente difícil.
Um carro por 1 milhão de reais
O brilho dos carros antigos nas ruas de Havana não corresponde ao seu funcionamento interno. Muitos deles têm 50, 60 anos de estrada, quebram com frequência e precisam ser consertados novamente. Não há peças de reposição.
Quando a importação de carros estrangeiros foi oficialmente permitida, em dezembro do ano passado, eram grandes as esperanças no país. Mas a freada foi brusca: o governo divulgou o preço estabelecido para cada tipo de automóvel. Um carro europeu de médio porte custa cerca de 1 milhão de reais. Os cubanos se sentiram ridicularizados, o que externaram em sites e fóruns na internet.
Agora, a web também permite olhar para fora do país – ao menos em teoria. Desde meados do ano passado, os cubanos têm acesso à internet em cerca de 120 novos cibercafés. Por um preço de quase 5 CUC por hora, um quarto do salário mensal, os cubanos têm pouco tempo para navegar na internet. Além disso, a conexão é lenta, e páginas como o Twitter ou Facebook são quase impossíveis de serem acessadas.
Oficialmente, no entanto, Cuba abriu as portas para os seus habitantes. Já há um ano, qualquer cubano pode viajar com seu passaporte para o exterior e lá permanecer por, no máximo, dois anos, até mesmo aqueles que o governo considera como dissidentes. Mas, para a maioria, as portas permanecem fechadas. Somente alguns poucos países querem emitir vistos de entrada para um cubano. Desde então, 200 mil cubanos fizeram uma viagem ao exterior.
À procura de parceiros
Kuba Havanna Panorama Nascer do Sol na capital cubana: governo hesita em aplicar reformas
Os médicos podem deixar oficialmente Cuba. Eles trabalham, por exemplo, no Brasil ou na Venezuela, trazem divisas para o país e atuam como uma vitrine do bom sistema de ensino cubano. As escolas e universidades estão entre as melhores da América Latina.
Mas quem quiser promover a tecnologia de ponta e a pesquisa precisa de intercâmbio internacional e cooperações, como na área de biotecnologia. Empresas estatais apresentaram seus avanços na pesquisa farmacológica, por exemplo, em medicamentos contra o câncer. Mas, para elas, é difícil encontrar parceiros no exterior.
As empresas lembram que Cuba ainda está sob o embargo dos EUA. Assim, se companhias europeias quiserem fazer negócios com cubanas, podem acabar tendo desvantagens econômicas em suas atividades nos Estados Unidos.
Mas o principal entrave para o avanço do país está na contradição entre o ideal de uma sociedade sem classes e a realidade. O governo de Cuba se apega ao passado e, ao mesmo tempo, tem de permitir reformas. Já há muito tempo que o país deixou para trás o socialismo puro, mas ninguém parece realmente saber para onde é que tudo isso vai.

DW.DE