Resgatar a história do movimento estudantil e a resistência a ditadura militar no Rn.
domingo, 15 de setembro de 2013
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Juízes
chilenos pedem perdão por omissão durante ditadura
Fonte: O Globo - 11.09.2013.
- Em
comunicado inédito, magistrados assumem falha em proteção dos direitos
humanos no regime de Pinochet
SANTIAGO
— Em ação inédita, juízes do Chile admitiram nesta quarta-feira que o Poder
Judiciário não protegeu os direitos humanos durante a ditadura do general
Augusto Pinochet. Eles também pediram perdão aos familiares das vítimas de
crimes de lesa-humanidade. A medida acontece no momento em que se lembram os 40
anos do golpe de Estado no país, e se soma a uma onda iniciada por um senador
governista de pedidos de desculpa por ações — ou omissões — cometidas antes e
durante o regime militar (1973-1990).
Num comunicado,
um grupo de juízes reconheceu que “o Poder Judiciário incorreu em ações e
omissões impróprias de sua função, ao ter se negado, salvo isoladas, mas
valiosas exceções que o honram, a oferecer proteção aos que demandaram várias
vezes sua intervenção”.
A ditadura de
Pinochet fez mais de 40 mil vítimas — destas, 3.200 morreram —, além de mil
desaparecidos forçados.
“A inadmissão
ou a rejeição por parte de nossos tribunais de milhares de recursos de amparo,
muitos dos quais foram fundadamente interpostos em nome de compatriotas cujo
destino nunca mais se soube, a negativa sistemática de investigar as ações
criminais perpetradas por agentes do Estado e a recusa a se constituir
pessoalmente em centros de detenção e tortura, sem dúvida alguma, contribuíram
ao doloroso balanço em matéria de direitos humanos que ficou para trás após
esse período cinza”, acrescenta o texto.
O Poder
Judiciário chileno recusou cerca de 9 mil recursos de amparo que pediam
proteção a pessoas detidas pela polícia política da ditadura. A maioria
permanece desaparecida até hoje.
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Ricardo Lagos: ‘A ditadura roubou o melhor de nossas vidas’
Fonte: O Globo.
- Em livro de memórias, ex-presidente chileno relata a luta contra o governo Pinochet
MADRI - Ricardo Lagos é um político. Às vezes parece que os políticos são
sempre quadrados e imbatíveis, persuasivos, sempre auxiliados por infalíveis
guarda-costas.
O chileno nascido em 1938 escreveu um livro de memórias chamado “Assim o
vivemos”. Nele, Lagos não fala de poder e glória, mas de resistência, de vida,
de dor, fracasso e da ação de governar e se opor a uma ditadura.
Na Feira Internacional do Livro de Guadalajara, no México, Lagos falou sobre a publicação em que conta sua vida, com ênfase na época da ditadura de Augusto Pinochet, cujo golpe completa 40 anos no dia 11 de setembro.
- O livro tinha como título “Assim o vivi”. Quando terminei, ele me pareceu muito injusto porque o plural refletia melhor todo esse povo que se atreveu a se pôr de pé. “Assim o vivemos” parece dar conta melhor do que aconteceu em um momento da História do país, um momento muito épico, muito especial, que não vai voltar a se reproduzir - explicou o autor.
Ainda circula na internet um vídeo de 1988, quando Lagos, de terno e gravata, aparece enérgico e desafiador em um programa de televisão no qual tem alguns minutos para pedir que votassem “não” no referendo que significou o princípio do fim de Pinochet. O ditador havia pedido o “sim”, e Lagos era um socialista empenhado na luta para derrubar o homem que, segundo o próprio político, roubou 17 anos da vida dos chilenos.
A certa altura, consciente de que era visto por todo o Chile e também por Pinochet, Lagos se dirigiu à câmera, com o dedo em riste, e desafiou o ditador. O gesto acabou ficando famoso e marcou um momento da história da queda de Pinochet. Na época, o ato foi uma temeridade que foi carcomendo a cadeira de Pinochet. Passados 12 anos do desafio, Lagos se tornava o primeiro socialista a chegar à Presidência do Chile.
Em Londres, há mais de um ano, em uma conversa com o escritor mexicano Carlos Fuentes, passou mais de dois dias explicando ao interlocutor os meandros da política internacional que viveu, como se estivesse preparando o amigo para uma prova final. Com paciência infinita, como se o tempo não lhe importasse.
- Me entretém explicar; tento expressar as coisas mais difíceis com clareza para que pareçam simples.
É um pedagogo. Chegou ao poder explicando, e explicando - e erguendo o dedo - defendeu-se da ditadura.
- Creio que a atividade pública é um diálogo em que é muito importante estar ou se pôr à altura do outro - explicou.
É afável, caminha com essa lentidão que pode ser vista nos políticos e poetas veteranos. A deslealdade e as imperfeições o deixam impaciente. Ele não gosta que as coisas saiam mal, confessa. Mas ele mesmo não é perfeito, claro.
Agora que já não é presidente e não pode aspirar a sê-lo, diz que não ficou deslumbrado com a importância de ter ocupado um cargo tão importante:
- É muito importante manter os pés no chão. É natural, eu entendo: há uma certa pompa em ser chefe de Estado, mas é necessário entender que, na democracia, isso é algo transitório.
A mãe de Lagos morreu aos 108 anos, em 2011. Já o pai faleceu quando Lagos tinha 8 anos, e coube à mãe fazer o papel dos dois. Ela costumava dizer ao filho: “Você tem casa, comida e roupa limpa. Sua única obrigação é estudar”. Ela acreditava que ninguém tinha motivos para chegar a ser rico, e queria que o filho “fosse um homem culto que soubesse servir aos semelhantes”.
Lagos também foi um presidente declaradamente agnóstico em um país paroquial:
- No passado, já houve outros presidentes agnósticos, mas eles dissimulavam. Eu fui o primeiro presidente divorciado, casado pela segunda vez. E minha mulher também estava no segundo casamento.
Onze de setembro de 1973. Sete dias antes, os funcionários e as pessoas que quiseram celebraram o terceiro aniversário da chegada de Allende ao poder. Lagos e o presidente se cruzaram na esplanada do Palácio de La Moneda.
- Eles nos saudou com a mão. Essa forma como nos saudou, esse gesto, já parecia de despedida.
Uma semana depois, o drama: os militares bombardearam La Moneda, e Allende se suicidou. Quatro décadas depois, essa história marca o coração do Chile.
- Roubaram-nos 17 anos, o melhor de nossas vidas. Mas não puderam tirar o privilégio da ética. Houve amigos desaparecidos, assassinados, outros que partiram para o exílio e uns que foram presos, mas foi a vida que tivemos que viver. Agora, olhas para trás e, como Violeta Parra (cantora e compositora chilena), podes dizer: obrigado à vida, que me deu tanto.
Veja também
Na Feira Internacional do Livro de Guadalajara, no México, Lagos falou sobre a publicação em que conta sua vida, com ênfase na época da ditadura de Augusto Pinochet, cujo golpe completa 40 anos no dia 11 de setembro.
- O livro tinha como título “Assim o vivi”. Quando terminei, ele me pareceu muito injusto porque o plural refletia melhor todo esse povo que se atreveu a se pôr de pé. “Assim o vivemos” parece dar conta melhor do que aconteceu em um momento da História do país, um momento muito épico, muito especial, que não vai voltar a se reproduzir - explicou o autor.
Ainda circula na internet um vídeo de 1988, quando Lagos, de terno e gravata, aparece enérgico e desafiador em um programa de televisão no qual tem alguns minutos para pedir que votassem “não” no referendo que significou o princípio do fim de Pinochet. O ditador havia pedido o “sim”, e Lagos era um socialista empenhado na luta para derrubar o homem que, segundo o próprio político, roubou 17 anos da vida dos chilenos.
A certa altura, consciente de que era visto por todo o Chile e também por Pinochet, Lagos se dirigiu à câmera, com o dedo em riste, e desafiou o ditador. O gesto acabou ficando famoso e marcou um momento da história da queda de Pinochet. Na época, o ato foi uma temeridade que foi carcomendo a cadeira de Pinochet. Passados 12 anos do desafio, Lagos se tornava o primeiro socialista a chegar à Presidência do Chile.
Em Londres, há mais de um ano, em uma conversa com o escritor mexicano Carlos Fuentes, passou mais de dois dias explicando ao interlocutor os meandros da política internacional que viveu, como se estivesse preparando o amigo para uma prova final. Com paciência infinita, como se o tempo não lhe importasse.
- Me entretém explicar; tento expressar as coisas mais difíceis com clareza para que pareçam simples.
É um pedagogo. Chegou ao poder explicando, e explicando - e erguendo o dedo - defendeu-se da ditadura.
- Creio que a atividade pública é um diálogo em que é muito importante estar ou se pôr à altura do outro - explicou.
É afável, caminha com essa lentidão que pode ser vista nos políticos e poetas veteranos. A deslealdade e as imperfeições o deixam impaciente. Ele não gosta que as coisas saiam mal, confessa. Mas ele mesmo não é perfeito, claro.
Agora que já não é presidente e não pode aspirar a sê-lo, diz que não ficou deslumbrado com a importância de ter ocupado um cargo tão importante:
- É muito importante manter os pés no chão. É natural, eu entendo: há uma certa pompa em ser chefe de Estado, mas é necessário entender que, na democracia, isso é algo transitório.
A mãe de Lagos morreu aos 108 anos, em 2011. Já o pai faleceu quando Lagos tinha 8 anos, e coube à mãe fazer o papel dos dois. Ela costumava dizer ao filho: “Você tem casa, comida e roupa limpa. Sua única obrigação é estudar”. Ela acreditava que ninguém tinha motivos para chegar a ser rico, e queria que o filho “fosse um homem culto que soubesse servir aos semelhantes”.
Lagos também foi um presidente declaradamente agnóstico em um país paroquial:
- No passado, já houve outros presidentes agnósticos, mas eles dissimulavam. Eu fui o primeiro presidente divorciado, casado pela segunda vez. E minha mulher também estava no segundo casamento.
Onze de setembro de 1973. Sete dias antes, os funcionários e as pessoas que quiseram celebraram o terceiro aniversário da chegada de Allende ao poder. Lagos e o presidente se cruzaram na esplanada do Palácio de La Moneda.
- Eles nos saudou com a mão. Essa forma como nos saudou, esse gesto, já parecia de despedida.
Uma semana depois, o drama: os militares bombardearam La Moneda, e Allende se suicidou. Quatro décadas depois, essa história marca o coração do Chile.
- Roubaram-nos 17 anos, o melhor de nossas vidas. Mas não puderam tirar o privilégio da ética. Houve amigos desaparecidos, assassinados, outros que partiram para o exílio e uns que foram presos, mas foi a vida que tivemos que viver. Agora, olhas para trás e, como Violeta Parra (cantora e compositora chilena), podes dizer: obrigado à vida, que me deu tanto.
Um pouco da história da resistência estudantil alemã.
> Clique no link abaixo para ler o texto completo:
>
> 'A Rosa Branca' resgata história dos estudantes que
enfrentaram Hitler
>
anca-resgata-historia-dos-estudantes-que-enfrentaram-hitler.shtml
>
>
> Folha de S.Paulo
>
>
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Morre ex-militante do PCB.
NOTA DE FALECIMENTO DA UBE/RN
É com profundo pesar que comunicamos o falecimento hoje nesta cidade do Sócio Hononário PEDRO VICENTE DA COSTA SOBRINHO.
Professor universitário, graduado em Ciências Sociais (Sociologia e Ciência Política), portador dos títulos de Especialização, Mestrado Doutorado, autor de diversos livros nas áreas de sociologia e política: Capital e Trabalho na Amazônia Ocidental; Exercícios circunstanciais; A desintegração do comunismo soviético; Outras circunstâncias; Vozes do Nordeste; Comunicação Alternativa e movimentos sociais na Amazônia Ocidental. Foi Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras – ANL; Sócio-Correspondente da Academia Acreana de Letras; do Conselho Estadual de Cultura do RN; Sócio Efetivo da UBE/PE e Sócio Honorário da UBE/RN; Sócio Efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do RN e diversas outras entidades. Militou na vida sindical e política pertencendo ao MDB, PCB e PPS.
Quando da reorganização da UBE/RN em 2006 participou ativamente, contribuindo com sua inteligência para a solidificação da entidade.Apaixonado pela Política e pelo Movimento Sindical, passou uma longa temporada na Russia, aperfeiçoando seus conhecimentos. Quando do esfacelamento da União Soviética, produziu um livro –A Desintregação do Império Soviético- que é um estudo profundo da questão.
Viveu entre o Acre e o Rio Grande do Norte lecionando. Foi assessor do SESC.Foi diretor da Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte tendo feito um excelente trabalho na editoração de livros.
Figura humana afável, com certeza deixará uma enorme saudade em nossos corações.
O velório será no Cemitério Morada da Paz. Amanhã 06 de setembro haverá uma cerimônia em sua homenagem. Seu corpo será cremado e as cinzas jogadas no Acre, conforme pediu.
Natal/RN, 05 de setembro de 2013
DIRETORIA
Presidente: Eduardo Antonio Gosson
1º Vice-Presidente: Jurandyr Navarro da Costa
2ª Vice-Presidente: Anna Maria Cascudo Barreto
Secretário-Geral: Manoel Marques da Silva Filho,
1º Secretário: Paulo Jorge Dumaresq Madureira
2º Secretário: Francisco Alves da Costa Sobrinho
1º Tesoureiro: Jania Maria Souza da Silva
2º Tesoureiro: Aluizio Matias dos Santos
Diretor de Divulgação: Lucia Helena Pereira
Diretor de Representações Regionais: Joaquim Crispiniano Neto
Diretor Jurídico: Carlos Roberto de Miranda Gomes
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
A ditadura brasileira e a ditadura de Pinochet.
O
Brasil de Pinochet
Fonte: Estadão.
SANTIAGO - O
expediente no Itamaraty já havia terminado quando, às 20h30 de 13 de setembro
de 1973, diplomatas chilenos foram recebidos na chancelaria esvaziada, em
Brasília. O presidente Emílio Garrastazu Médici estava em São Paulo, de onde
telefonara dando ordens expressas para que o Brasil se tornasse o primeiro país
a reconhecer a junta militar que derrubara o governo de Salvador Allende. Um
avião com "20 toneladas de medicamentos" estava a caminho de
Santiago.
Veja
também:
Pinochet e tropas militares no
palácio presidencial
"É certo
dizer que o novo governo do Chile encontrará no Brasil um poderoso
aliado", escreveu, emocionado, no primeiro telegrama à junta militar, o
encarregado de negócios chileno em Brasília, Rolando Stein - o embaixador de Allende
no País, o jurista Raúl Rettig, que décadas depois chefiaria a comissão da
verdade chilena, havia renunciado naquela manhã. Stein acertou na mosca.
Com base em
arquivos brasileiros, já se sabia que o governo Médici deu amplo apoio aos
conspiradores chilenos antes, durante e depois do golpe que este mês completa
40 anos. Empresários brasileiros enviaram dinheiro a grupos de direita no
Chile, o embaixador em Santiago, Antonio Cândido da Camara Canto, atuou como
pôde para minar o governo Allende (mais informações nesta página) e, dias após
a queda dos socialistas, agentes brasileiros foram enviados ao Estádio Nacional
e a outros centros de repressão para prestar "consultoria" a colegas
chilenos.
O Estado, porém, teve
acesso a centenas de telegramas diplomáticos secretos do Chile recentemente
liberados - e inéditos no Brasil - que revelam novas informações sobre o grau e
as formas de participação do governo Médici na derrubada do governo da
Unidade Popular (UP). Ao longo desta semana, o jornal publicará reportagens
exclusivas sobre como o Brasil ajudou a empurrar o Chile para o período mais
sombrio de sua história.
Uma das
revelações mais impressionantes dos documentos chilenos é que, logo após chegar
ao poder, o governo Allende recebeu informações precisas sobre as atividades da
ditadura brasileira contra o Chile - incluindo planos para derrubar à força a
UP. Segundo um telegrama "estritamente confidencial", um jornalista
chileno vinculado ao ex-presidente Jorge Alessandri, de direita, alertou o
embaixador de Allende em Brasília que havia sido procurado "por um general
brasileiro amigo". O militar lhe propôs ajuda para "organizar no
Chile um movimento de resistência armada (...), estruturado em forma de
guerrilha, (...) contra o ‘perigo vermelho’."
No mês seguinte,
a embaixada recebeu novas e mais detalhadas informações sobre o plano de
insurgência no Chile. Desta vez, porém, o alerta partiu de um informante
altamente improvável: um oficial brasileiro, "com ideias políticas de
esquerda", vinculado ao serviço de inteligência do Exército.
Por meio de um
intermediário, o militar fez chegar a um secretário da embaixada chilena a
informação de que, dentro do Ministério do Exército, no Rio de Janeiro,
funcionava uma sala de operações, com maquetes da Cordilheira dos Andes e
mapas, para estudar e planejar uma guerrilha anticomunista no Chile.
Brasileiros participariam apenas como instrutores e os combates seriam travados
por civis chilenos. Mais: como parte dos preparativos, o Exército do Brasil
teria enviado "diversos agentes secretos, que entraram no Chile como
turistas".
Um cidadão
chileno que viva em São Paulo "e merece toda confiança" também
afirmou à missão diplomática que um "corpo do Exército nessa cidade
estaria procurando voluntários chilenos para empreender uma aventura
bélica" no Chile. A articulação estaria sendo feita com ajuda de
integrantes da Fiducia - equivalente chilena à Tradição Família e Propriedade
(TFP) - que haviam se mudado para São Paulo.
Embaixador
suíço.
O militar brasileiro, cuja identidade não é revelada nos documentos, passou
outro recado importante ao governo Allende. Entre os 70 "subversivos"
brasileiros que foram ao Chile no ano anterior, trocados pelo embaixador suíço,
Giovanni Bucher, havia dois espiões do Exército brasileiro. A governo Médici
havia deliberadamente atrasado a negociação para libertar os presos políticos
com o objetivo de colocar os infiltrados em território chileno. Lá, eles
deveriam coletar informações e se comportar como "agentes
provocadores".
À época, cerca
de 5 mil exilados brasileiros viviam no Chile, onde conduziam intensas
atividades de denúncia à ditadura. Os documentos chilenos mostram que o
embaixador do Brasil em Santiago, Antônio Cândido da Câmara Canto, várias vezes
apresentou protestos formais ao governo em razão de artigos e declarações de
opositores brasileiros à imprensa local. Vários brasileiros que estiveram no
Chile, consultados pelo Estado, disseram que muito provavelmente eles eram
monitorados por meio de espiões.
O embaixador de
Allende no Brasil chama atenção para o caso de duas senhoras brasileiras,
parentes de exilados, que foram presas pela Aeronáutica no Aeroporto do Galeão,
no Rio, ao desembarcarem do Chile, no dia 19 de janeiro daquele ano. Elas
traziam cartas de brasileiros exilados, incluindo uma mensagem de Almino
Afonso, ex-ministro do governo João Goulart, ao deputado Rubens Paiva. O
embaixador chileno em Brasília acreditava que elas haviam sido delatas por
informantes da ditadura entre os brasileiros em Santiago. No dia seguinte ao caso
no Galeão, Rubens Paiva foi preso em sua casa por agentes que se diziam da
Aeronáutica.
sábado, 24 de agosto de 2013
A verdade verdadeira
“Tudo que eu não invento é falso...”
(Manoel de Barros - Poeta)
Ser escritor tem dessas coisas, de repente, do nada, aparece na nossa frente uma cena, uma imagem, uma história... Em certa manhã, Hegel, filósofo alemão, entra na sala de aula carregando uma caixa de sapato debaixo do braço. E antes mesmo de algum aluno lhe perguntar espantado: “Professor, o que é isso?!”, ele logo explica: “Eis a VERDADE, caros alunos! E de onde vocês estiverem nesta sala, no máximo conseguirão enxergar apenas três lados dela. Portanto, acreditem: vocês nunca serão capazes de vê-la por inteiro!”.
Agora fica fácil de saber o porquê de a verdade vir da origem de três palavras: Aletheia, Veritas e Emunah... E acredito até que cada uma delas tenta explicar um dos lados das três meias-verdades que enxergamos... Assim, para os gregos antigos, a verdade era algo sempre relacionado com a visão, afinal Aletheia significava: não escondido, não oculto... mas, o danado é que se a verdade vem dos olhos, Saint-exupéry a nega dizendo: “Só se enxerga bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”. E como enxergar a verdade, se quase sempre temos um coração de pedra, ou pior: nem coração temos?!...
Ah! Vamos, então, tentar buscar a verdade através da palavra latina Veritas que significa: rigor ou exatidão entre o relatado e o ocorrido?! Ilusão passageira, não é mesmo?! Pois logo vem Cristo para desmentir os latinos quando afirma: “O mal é o que sai da boca do homem”. E ele tem razão. Pesquisa, cientificamente comprovada, relata que a cada 10 minutos, o homem mente três vezes... é claro que este trabalho não incluiu ninguém de Brasília... e eu nem quero saber de fazer o cálculo de quanto eu já menti desde que nasci. Por isso, discordo totalmente de Shakespeare que dizia: “A brevidade é alma da inteligência”. Não! A brevidade é a alma da honestidade, pois quanto menos eu falar, menos mentira eu vou di zer... O silêncio é mesmo a sabedoria dos sábios! (Ou seria: a sabedoria dos honestos?!).
Resta-nos agora recorrermos aos filhos de Israel para encontrarmos a verdade, através da palavra Emunah que significa: fé, confiança... Assim, a verdade é aquilo que eu acredito. Mas, o danado é que nem todo mundo torce pelo Atlético Mineiro, para ficar o dia todo: “Eu acredito! Eu acredito!”. E existem até alguns mineiros que não levam mesmo fé na sua crença. E aqui na nossa cidade temos um exemplo claro disso, que é o Deputado Fernando Mineiro, do PT: se ele - e o seu partido- tivessem botado fé na sua candidatura, o Prefeito de Natal, hoje, seria outro...
Mas mesmo o Emunah - não sendo 100% fiel à verdade -, eu (não sendo mineiro, e sim potiguar) acredito que existe um lado que Hegel poderia ter explorado mais: o lado de dentro da caixa... No filme Don Juan DeMarco, uma das passagens mais interessantes é quando o psiquiatra, interpretado por Marlon Brando, pergunta a freira e mãe de Don Juan: “A senhora traiu mesmo o seu marido?!”. E a resposta foi: “Doutor, a verdade está dentro do senhor!”.
Pois é caro leitor, acredite: a verdade é o que está dentro de cada um! Por isso, vou agora dizer as minhas verdades verdadeiras. E como eu sei que “as verdades são como as rosas e têm espinhos”, espero que ninguém fique chateado ou ferido com elas, já que elas são só as minhas, apenas as minhas verdades... Ah! E é através delas que eu consigo me libertar: “Conhecereis a verdade e a verdade vós libertará!”...
A minha primeira verdade verdadeira é que eu tenho sempre que acusar os políticos por tudo de ruim que me acontecer. Afinal, no dia da eleição, eles não entram comigo na cabine de votação, pegam o meu dedo à força e me obrigam a confirmar sempre e sempre o voto neles?! Não é assim?! Pois então, nada mais justo, deles pagarem o pato...
A minha segunda verdade verdadeira é que eu tenho mesmo de ser contra a vinda de médicos estrangeiros para o nosso país, afinal, vai que dá certo a medicina preventiva e aí como é que eu vou justificar a minha revolta pela falta de dinheiro na saúde?! Afinal, precisamos de mais e mais dinheiro, que se “perderão” nas licitações da compra de mais e mais ambulâncias para transferirmos mais e mais dos nossos doentes do interior, para os corredores abarrotados dos hospitais da capital... Aliás, por falar em ambulâncias, estão faltando sim, elas no Serviço de Atendimento Móvel às Urgências (SAMU). Pois, pelos meus modestos cálculos, deveríamos ter pelo menos uma ambulância em cada rua, ou melhor: uma ambulância em cada casa, pois assim, eu e meus amigos ficaríamos mais tranquilos para enchermos a cara de álcool, e depois dirigirmos as nossas motos a 1000 km/hora, para nos arrebentarmos no primeiro poste que encontrássemos pela frente... Afinal saúde não é um direito de TODOS e um DEVER do estado?! Por que não todos não pagarem a conta, minha e dos meus colegas, por esta irresponsabilidade solidária?!
A minha terceira verdade verdadeira é que estão faltando sim, leitos de UTI em todas as cidades. Acho até que deveríamos construir dois leitos de UTI por cada casa. Afinal, eu não tenho que colocar, MESMO SEM NENHUMA INDICAÇÃO, os meus pais para morrerem lá?! Já que eu não dei assistência a eles durante a vida toda, porque eu vou ficar cuidando deles na hora da sua morte?! Se, estão faltando leitos de UTI para os que verdadeiramente precisam: isso não é problema meu, pois saúde é um direito de TODOS e um DEVER do estado... e todos tem o dever de pagar pela minha saúde mental: o que os olhos não veem, o coração não sente, não é mesmo?!
A minha quarta verdade verdadeira é que, quando eu reprovar um aluno, a culpa será sempre dele: não estudou; não prestou atenção a aula... assim, ninguém vai descobrir que eu não fui capaz de estimulá-lo, que eu não fui capaz de ensiná-lo nada de significativo, nada de útil para mudar a vida dele e nem de ninguém da sua comunidade, pois eu só sei “ensinar” o que eu aprendi durante a minha pós graduação: “A influência da formação das nuvens no humor dos gafanhotos da Malásia”... Bem caro leitor, não preciso mais continuar dizendo as minhas verdades verdadeiras, pois vocês já perceberam que eu adoro mesmo é ver sempre o cisco no olho do meu vi zinho...
P.s. Espero que, em 10 minutos, vocês consigam ler este artigo, afinal preciso ficar só com três mentiras... Mas, se eu mentir muito caro leitor, nem vou ficar com tanto remorso, pois Mario Quintana já dizia: “A mentira é só uma verdade que se esqueceu de acontecer”, não é mesmo?!
Francisco Edilson Leite Pinto Junior– Professor, médico e escritor.
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