Estão abertas as inscrições para o Seminário “Nordeste, 60 anos depois: mudanças e permanências”, que acontecerá no período de 27 a 29 de maio, na Escola de Governo Dom Eugênio Sales, situada no Centro Administrativo, no bairro de Lagoa Nova, em Natal. As inscrições são gratuitas. A promoção é da Arquidiocese de Natal, Observatório Social do Nordeste e Programa RN Sustentável.
O Seminário terá como foco os desafios e as perspectivas de construir uma agenda de trabalho para 2016, em vista aos 60 anos do primeiro encontro dos bispos da Região Nordeste, realizado em 1956, na cidade de Campina Grande (PB). Várias iniciativas, visando o desenvolvimento do Nordeste, nasceram daquele encontro, em 1956. Uma delas foi o Grupo de Trabalho pelo Desenvolvimento do Nordeste, que originou a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE).
Programação
A abertura do Seminário acontecerá na quarta-feira, 27 de maio, às 18h, com o credenciamento dos participantes, seguida de saudação do Arcebispo Metropolitano de Natal e presidente do Observatório Social do Nordeste, Dom Jaime Vieira Rocha. Em seguida, haverá lançamento de quatro livros. Nos dias 28 e 29, a programação constará de conferências e mesas redondas. Uma das conferências terá como expositor o Ministro de Estado da Secretaria Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto.
Outro palestrante será o bispo de Ipameri (GO), Dom Guilherme Werlang. Ele é membro da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, Justiça e Paz, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Lançamento de foguete em Caicó. Uma história espetacular…
Em Caicó, jovens cientistas e estudantes ficaram de bobeira com a espetacular viagem à Lua e resolveram também construir um foguete: inauguraram, assim, o Programa Espacial Caicoense, sob o comando de Zé Almino, o Astronauta, com a participação de Carlos de Zé Cassiano e Zenóbio de Chico Pedro (in memorian).
A preocupação com o meio-ambiente já era latente naqueles jovens destemidos e visionários empreendedores, porque os foguetes eram construídos com latas de óleo de comida, revestidos de taquari, instalados sobre uma base de lançamentos feita de restos de madeira de construção civil. Tudo ecologicamente correto.
Toda essa megaestrutura subia com uma mistura de pólvora e nitrato de alumínio, queimados com um pavio de 15 centímetros, que era deste tamanho pra dar tempo de correr do local de lançamento ao cara que acendia o pavio.
A experiência – meio tosca, é verdade – possibilitou a construção de cinco foguetes, dos quais quatro tiveram lançamentos bem sucedidos e um que falhou, justamente o que reuniu mais de 80% de população de Caicó dentro do Rio Seridó e sobre a ponte Soldado Francisco Dias.
Antes do grande dia, os cientistas caicoenses fizeram três lançamentos bem sucedidos na Base Aeroespacial do Rio Seridó, quando os foguetes subiram e sumiram no céu azul e sem nuvens de Caicó. Fazia pouco mais de um ano da chegada do homem à Lua.
Com o sucesso da fase experimental, Zé Almino, Carlos de Zé Cassiano e Zenóbio de Chico Pedro resolveram fazer um lançamento para o grande público: a esta altura, os boatos corriam na cidade, dando conta dos foguetes fabricados em Caicó.
A curiosidade da população sobre os lançamentos de foguetes dominava todas as rodas de conversas nas mesas do Bar de Ferreirinha, nas feiras livres, lojas, escolas e nas esquinas da cidade: só se falava naquilo.
Na grande data, em meados de agosto de 1970, o país com o peito estufado pela conquista do Tri-Campeonato da Seleção Brasileira, arma-se o circo para o primeiro lançamento público: a Polícia Militar e o Exército foram mobilizados pra conter a ansiedade do povo com o quarto lançamento do Programa Espacial Caicoense.
Era tanta gente sobre a ponte, que a estrutura ameaçava cair a qualquer momento.
Presentes ao grande evento autoridades como o vice-prefeito Vicente Macedo, o comandante do Batalhão Major Caminha, o delegado Dr. Marcílio, vereadores, o gerente do Banco do Brasil, os guardas fiscais e a plebe rude.
Padre Antenor e o seu fiel escudeiro, Ciriáco, subiram na torre do sino da Igreja de Sant’Ana, o melhor e mais seguro lugar de Caicó para visualizar o grande lançamento, e não permitiram a entrada de mais ninguém naquele espaço privilegiado.
Os dois cinemas da cidade, o São Francisco e o Rio Branco, suspenderam as sessões por absoluta falta de público, as escolas cancelaram as aulas, as repartições públicas decretaram ponto facultativo, o comércio e a indústria liberaram os funcionários para que todos vissem aquela fantástica experiência.
Contagem regressiva: 5…., 4…., 3…, 2…. 1…
Zé Almino tocou fogo no pavio, que queimou lentamente…
A tensão aumentava entre as mais de 20 mil pessoas que presenciavam aquele momento histórico, todo mundo de mãos postas, suando…
De repente, um estrondo…
“Óoohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh”, gritaram todos, em uníssono…
O foguete sobe 1 metro e 80 centímetros, o suficiente para dar um giro de 180 graus sobre si mesmo, e se estatela no leito do rio.
Não houve vítimas, exceto o orgulho ferido daqueles extraordinários cientistas malucos.
Foi a maior vaia que Caicó ouviu.
O último lançamento do Programa Espacial Caicoense ocorreu no dia 7 de setembro de 1970, nas dependências do 1o Batalhão de Engenharia de Construção: incentivados pelo major Caminha (“falhas ocorrem até na NASA”, disse ele aos jovens cientistas caicoenses), Zé Almino, Carlos e Zenóbio colocaram o último foguete em órbita, sem falhas e tendo apenas os militares como testemunhas.
Por Brito JR.
Foto de 1970: Delegado Marcílio, Zé Almino, o foguete (claro!), Zenóbio (de Chico Pedro), Dr. Vicente Macedo e Carlos de Zé Cassiano. No dia do histórico lançamento do foguete que não subiu.
Eita, seu menino! Só você mesmo meu caro blogueiro e jornalista Robson Pires que, com muito esmero e denodo publica essas maravilhas.Parabéns!!
Conheço muita gente da foto,inclusive Dr. Vicente foi meu dentista quando morávamos na cidade. Hoje estou no Rio de Janeiro, mas pretendo passar o carnaval por ai ano que vem, se Deus assim permitir.
É Caicó já na era espacial naquela época!! E viva Caicó!!!
meu nobre blogueiro, vc bem que poderia abrir um espaço nesse blog pelo menos uma vez p/ semana p/ postar aguns contos e causos q/ se assucederam em nossa cidade, valeu xerife…………
Sugiro fabricar outro foguete, bem maior, onde possam acomodar algumas personalidades, beldades, socialaites, autoridades, pseudo-intelectuais, cobras e lagartos desse lugar. Mas acho que nem a NASA fabricaria um foguete tão grande…
nunca ouvi falar nisso, mas adorei a historia…caico e uma cidade de sorte…ja pensou nos anos 70,uma coisa dessa magnetude…se pros tempos de hoje é conplicado imagina aquele epoca….
Muitos são os detalhes daquela inusitada prosopopéia espacial a qual também testemunhei. O trio de cientistas e pretensos austronautas, igualmente como os que estiveram na lua, levaram o experimento muito a sério. Na imaginação sem limite daqueles meninos que estavam todos na faixa dos seus 12 ou 13 anos, tinham sonhos, viviam e tentavam realizá-los. Tinham muito em comum, até mesmo o fato de morarem na rua da Rádio Rural de Caicó, que por algum tempo quiseram chamar de a rua dos cientistas. Vivi e convivi com o trio cientista e garanto que se tivessem tido o apoio financeiro, a história seria outra. Acidentes acontecem. Foi assim com um ônibus espacial americano, na base espacial de Alcântara e também nas inesquecíveis areias do rio seridó. Por essas e outras é que não me canso de dizer:
Há uma Pátria na nossa Pátria, é a terra que nos viu nascer!
Não é por me gabar, mas com o conteúdo desta mensagem fica comprovado que Caicó saiu na frente de muito “paísinho” metido a besta por aí. Este é um documento inédito e que coloca o Brasil, desde 1970, na corrida espacial.
Um grande abraço deste Caicoense que se ufana de sua gloriosa terra.
Amigo xerife,vou te dá uma ideia,porque vc num escreve um livro,só com os comentarios dos leitores do seu blog?.Acredito que todos seus leitores concordam.Existem muitas coisas interesantes:tem leitores que escrevem certo tudos nos trinkis;outros escrevem um deus nos acuda com tantos erros,neste item eu estou incluido….porem não deixa de ser uma boa pedida!.Vai ser um sucesso!msm eu garanto ki compro UM.
Caro xerife, em todas as materias de seu blog essa posso afirmar esta merece o prêmio nobel de jornalismo, parabéns pois retrata fatos de um Caicó feliz, onde se buscava o humor e a ciencia juntos.
Vamos todos se juntar,os cientisas de caicó e de todo seridó,e juntos construir uma grande nave(fogete),para colocar os politicos copa do mundo que só veem de 4 em 4 anos,e tambem os da terra que só prometem e babam muito o governo do rn…(obs)vamos construir uma que suba e não volte nunca mais!!!.
O que faz ser ainda mais engraçada essa estória é simplesmente ser verdadeira!!! Só em Caicó mesmo!!!devia fazer parte de uma série inclusive dramatizada…hahahahahaha
A
história de 471 cientistas perseguidos durante a ditadura militar foi
pesquisada e, a partir de hoje (31), pode ser consultada no site do
Projeto Ciência na Ditadura. Esta é a primeira fase do trabalho feito pelo
pesquisador titular da Coordenação de História da Ciência do Museu de
Astronomia e Ciências Afins (Mast) Alfredo TiomnoTolmasquim e pelos professores
Gilda Olinto e Ricardo Pimenta, do Instituto Brasileiro de Informação em
Ciência e Tecnologia (Ibict).
“Quando
se completou 50 anos do golpe militar em 2014, nós nos demos conta de que não
existia um balanço do impacto da ditadura militar na ciência brasileira.
Existem muitos estudos de qualidade do que aconteceu em uma ou outra
universidade ou no Instituto de Manguinhos da Fiocruz [Fundação Oswaldo Cruz],
mas não havia um panorama completo. Até para dizer quantos foram atingidos e
qual impacto [a ditadura] causou na atividade acadêmica do Brasil”, disse
Tolmasquim à Agência Brasil.
Ele
explicou que os cientistas que foram perseguidos são de diversas áreas, por
exemplo, da física, química, matemática, de ciências políticas e da biologia.
Para o pesquisador, o mais triste é que entre eles há pessoas que tinham
atividade política, alguns professores universitários ligados a partidos
políticos, outros ligados ao governo João Goulart.
Além
disso, segundo Tolmasquim, existem os que não tinham atividades políticas, mas
foram perseguidos por críticas feitas ao regime em comentários a colegas na
universidade. Isso, de acordo com pesquisador, era suficiente para que fossem
aposentados ou prejudicados na vida acadêmica.
“Em 1965,
na Universidade de Brasília, houve um processo forte de demissões. Alguns
professores não concordaram e pediram demissão da UnB, muitos deles foram para
outras universidades, mas, em 1969, foram demitidos compulsoriamente em uma
espécie de revanchismo. Essa era uma característica deste período de repressão.
Criar medo e evitar que as pessoas expressassem as suas ideias”, acrescentou.
Tolmasquim
acredita que, agora, com a divulgação do site do Ciência na Ditadura, vai começar uma outra etapa da
pesquisa com a inclusão de novas informações que podem ampliar tanto o número
de atingidos pelo regime quanto acrescentar dados sobre os já identificados,
que foram presos, torturados, assassinados, exilados, demitidos, aposentados,
submetidos a inquéritos militares ou sofreram boicotes relacionados a trabalhos
científicos e intelectuais. “Tem o site, o e-mailciencianaditadura@mast.br e a página no
Facebookciencianaditadura. Eu imaginei que o grande atrativo seria o site,
mas errei. Na verdade, o número de visitas e de participações por meio do
Facebook tem sido muito superior”, disse.
O
pesquisador revelou que, durante o desenvolvimento do projeto, foram
identificadas pessoas que sofreram violações em sua trajetória acadêmica, como
as que prestaram concurso ou concorreram a bolsas de pesquisas e não foram
chamadas porque estavam em uma lista de procurados pelos órgãos de repressão.
“A nossa ideia com este site é recolher esses depoimentos e estas
contribuições para que não fiquem esquecidas”, explicou.
Ele citou
o caso da professora do Instituto de Química da Universidade de São Paulo
(USP), Ana Rosa Kucinski Silva e do marido Wilson Silva, em abril de 1974. Os
dois, que integravam a Ação Libertadora Nacional (ALN), foram dados como
desaparecidos. A USP chegou a afirmar que houve abandono de emprego. Somente no
ano passado, com os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade, ficou comprovado
que foram mortos por agentes da repressão. “Foram assassinados e sumiram. São
dois casos de pessoas que foram desaparecidas”.
O projeto
apontou ainda a participação de pessoas de dentro das universidades que se aproveitaram
do momento de repressão para tirar vantagem. “Houve denúncias, e aconteceu na
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na época Universidade do Brasil,
antiga Faculdade de Filosofia. Tinha um decano que denunciou um grupo de
desafetos como uma célula de comunistas dentro da universidade e, depois, se
provou que não era verdade. Tentou se aproveitar para ter um ganho acadêmico”,
disse.
Na
avaliação de Tolmasquim, a troca de informações é fundamental para a ampliação
do trabalho e até para a correção das informações. Ele citou o fato de um
professor da Faculdade de Medicina da USP, que tinha sido submetido a um
inquérito policial militar. “Recebemos uma mensagem de uma pessoa da faculdade
dizendo que, na verdade, ele era dedo-duro e acusou várias pessoas da faculdade
que foram prejudicadas pelo depoimento dele. Em função disso, retiramos o nome
dele. A nossa informação era parcial. Sabíamos que tinha passado pelo IPM
[inquérito policial militar], mas não sabíamos o que tinha acontecido a partir
daí”.
O site
foi lançado hoje, no dia em que se completam 51 anos da instalação da ditadura
militar. “Na verdade o golpe militar foi em 1º de abril, mas terminou ficando
na história como 31 de março, porque começaram a dizer que não era verdade o
golpe militar, porque era 1º de abril [conhecido popularmente como o dia da
mentira] e, aí, os militares trouxeram para 31 de março”, disse.
O
pesquisador revelou também que, quando os verbetes relativos a cada cientista
estiverem mais consolidados, e com mais informações, a ideia é publicar um
livro. “Acho que é importante. A nossa ideia é publicar um grande livro de
cientistas perseguidos durante o período da ditadura”.
Texto: Cristina Indio do Brasil
Edição: Aécio Amado
Fonte: Agência
Brasil
segunda-feira, 16 de março de 2015
Qual é a saída para Dilma? Analistas e políticos listam três áreas de atuação
Luís Guilherme Barrucho - @luisbarruchoDa BBC Brasil em São Paulo
Há 9 horas
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Pressionada pela oposição, por aliados hostis e pelas críticas vindas ruas, a presidente passa pelo pior momento desde que chegou ao Planalto
Acuada pela oposição, por aliados hostis e pelas críticas vindas das ruas ─ inclusive de seus próprios eleitores ─ a presidente Dilma Rousseff enfrenta a maior crise desde que chegou ao Planalto, há pouco mais de quatro anos: tem diante de si a árdua tarefa de superar o isolamento e restaurar a confiança da população em meio a um escândalo de corrupção de grande monta, uma economia fragilizada e ânimos cada vez mais polarizados.
No último domingo, pouco mais de 1 milhão de pessoas (de acordo com as Polícias Militares) saíram às ruas de várias cidades brasileiras para externar sua insatisfação com as políticas do governo, pressionando ainda mais a presidente que deverá se empenhar em encontrar uma solução para a crise.
A BBC Brasil ouviu lideranças sociais, cientistas políticos e parlamentares para entender como a petista pode vencer a prova de fogo por que passa seu governo e assegurar a governabilidade de seu segundo mandato, principalmente após os protestos, a grande maioria a favor de seu impeachment, no último domingo (15).
Segundo eles, a solução passaria por um tripé que inclui recuperar a confiança do seu eleitorado, ampliar o diálogo com a base aliada e retomar o crescimento da economia ─ este último pilar, acreditam, não erradicaria, mas atenuaria as fortes críticas que vem recebendo, sobretudo, de opositores.
"Dilma montou uma "cilada" para si mesma durante a eleição, ao prometer que não mexeria em algumas das conquistas socioeconômicas ocorridas nos últimos anos. Agora, mudou o discurso e tem dificuldade de explicar o ajuste fiscal que, invariavelmente, se viu obrigada a executar, especialmente, para os seus eleitores", afirmou à BBC Brasil Carlos Melo, cientista político e professor-adjunto do Insper.
Na última sexta-feira (13), protestos convocados por entidades ligadas a movimentos sociais, como CUT (Central Única dos Trabalhadores), MST (Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) e UNE (União Nacional dos Estudantes), tomaram as principais cidades do país para defender "os direitos trabalhistas, a Petrobras, a democracia e a reforma política".
Apesar de ter sido chamado nos bastidores de "Blinda Dilma", pelas manifestações de apoio à presidente e por ter ocorrido dois dias antes dos protestos de domingo, o ato não foi "nem a favor nem contra o governo", afirmaram lideranças à BBC Brasil.
"Queremos registrar nossa insatisfação com o rumo que o governo está tomando. Achamos que é necessário fazer ajustes fiscais, mas sem mexer no direito dos trabalhadores. A presidente pedir paciência não resolve o nosso problema. A saída é o diálogo. Não vamos pagar com nosso emprego essa crise que a presidente diz que existe. Ela tem um compromisso assumido conosco durante as eleições", disse à BBC Brasil Adi dos Santos Lima, presidente da CUT-SP, que defende a retirada das MPs (Medidas Provisórias) 664 e 665 que alteraram as regras de acesso a benefícios sociais, como seguro-desemprego, auxílio-doença, pensão por morte, entre outros.
Para a UNE, o protesto de sexta-feira foi uma forma de "pressionar o governo" para rever algumas das medidas tomadas recentemente.
"Nós fomos às ruas e conquistamos essa vitória. Agora seguimos em frente por mais direitos para garantir os 10% do PIB para a educação e para aprovar uma reforma universitária democrática no nosso país", afirmou a presidente da UNE, Vic Barros, após a manifestação.
Segundo Ricardo Ismael, cientista político da PUC-Rio, Dilma precisa "urgentemente" reconhecer que "errou", mas ainda tem dificuldades sobre qual estratégia de comunicação adotar junto à opinião pública.
"A presidente Dilma não conseguiu explicar por que mudou o discurso de campanha nem por que a população deve se submeter a tantos sacrifícios. A insatisfação popular não é pelo terceiro turno; ela é objetiva: o governo está tomando medidas impopulares e não resta dúvida de que isso gera uma reação negativa da população", disse ele à BBC Brasil.
Protestos contra Dilma levaram centenas de milhares às ruas em todo o país no domingo (15)
A dificuldade de Dilma em dialogar também é motivo de críticas no universo político.
"Uma das principais falhas da presidente é, sem dúvida, a falta de articulação política. Sem apoio no Congresso, Dilma não consegue tomar medidas que possam garantir sua governabilidade, o que acaba impactando sua popularidade", afirmou à BBC Brasil Paulo Baía, cientista político e professor da UFRJ.
"Ela precisa repactuar sua base aliada, que está completamente fragmentada, e ter como interlocutor o vice-presidente Michel Temer, que é um homem de bom trânsito em todos os setores do Parlamento. Mas ela não o usa como deveria em grande parte devido a seu estilo de governar", acrescentou.
Na opinião de Ismael, da PUC-Rio, a postura unilateral adotada pelo governo, especialmente com o PMDB, explica o impasse político no Congresso, cujo ápice ocorreu quando o presidente do Senado, Renan Calheiros, devolveu a MP que reduz a desoneração da folha de pagamento. Recentemente, de acordo com informações do jornal O Estado de S. Paulo, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ameaçou pedir demissão caso o Senado derrubasse o veto à prorrogação até 2042 dos subsídios sobre a energia elétrica para grandes empresas do Nordeste.
"Dilma precisa de apoio político, ou seja, que o PT, o PMDB e a maioria do Congresso defendam o governo. Mas parte expressiva dos parlamentares do PT, o partido da presidente, é contra o ajuste fiscal. O governo errou, principalmente em tentar isolar o PMDB. Não conversa com ninguém e quer impor medidas", disse Ismael.
Para o deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ), líder do PMDB na Câmara, a discussão tem de ser mais "ampla".
"O que o PMDB deseja é uma participação efetiva no núcleo institucional decisório do governo, deseja ser ouvido para a tomada das decisões estratégicas, políticas e da reformulação das políticas públicas. Mas, infelizmente, não foi dessa forma como esse processo foi conduzido nos últimos tempos", criticou ele à BBC Brasil.
"O PT exerceu uma posição hegemônica no núcleo de decisão política do governo, estremecendo as relações entre o Executivo e o Legislativo e desorganizando a base aliada. Agora, essa relação precisa ser recomposta com diálogo e com a consolidação de uma coalizão verdadeira. Se o diálogo for sincero, e essa é a intenção, não vejo dificuldade para que isso ocorra. Do contrário, de fato, não irá avançar", afirmou.
Já para o deputado Rogério Rosso (PSD-DF), líder do PSD na Câmara, outro partido da base governista, o Congresso "não pode estar de forma passiva analisando as medidas do governo".
"Queremos uma agenda positiva e propositiva. A presidente precisa ampliar seu núcleo político. Essa ampliação significa ouvir mais opiniões e pensamentos. Como líder do partido, acredito ser importante o estreitamento entre o governo e a base aliada", disse Rosso à BBC.
Na semana passada, o governo deu uma indicação de que estaria aberto a ampliar o diálogo ao incluir ministros de partidos da base, além de chamar outros membros da gestão, para as reuniões de articulação política.
Nominalmente, Dilma citou os ministros Gilberto Kassab (PSD, Cidades), Aldo Rebelo (PC do B, Ciência e Tecnologia) e Eliseu Padilha (PMDB, Aviação Civil). Na ocasião, a petista aproveitou para negar a possibilidade de retirada de Aloizio Mercadante (Casa Civil) da articulação após rumores de que ela estaria insatisfeita com sua atuação.
Saída para Dilma passa por melhor articulação política com o Congresso
Embora considerem "pequena, quase impossível" a possibilidade de Dilma conquistar o eleitorado de oposição, especialistas ouvidos pela BBC Brasil acreditam que a retomada da economia ajudaria a conter os ânimos exaltados dos opositores.
"A possibilidade (de se aproximar do eleitorado de oposição) é muito pequena. Acho que se estabeleceu uma resistência de alguns setores sociais à presidente, ao governo e ao próprio PT. Mas o presidente Lula, é preciso lembrar, teve esse apoio em determinado momento. A própria elite se surpreendeu com ele. É claro que Lula foi favorecido pelo bom momento econômico que o Brasil vivia, especialmente em seu primeiro mandato, mas foi muito hábil politicamente, garantindo uma boa interlocução com setores-chave da economia, como a indústria e os bancos", afirmou Melo, do Insper.
"Mas isso requer, sobretudo, um perfil menos autoritário. Na política, liderança e blindagem são imprescindíveis. E hoje Dilma não tem nenhuma das duas", concluiu.
quarta-feira, 11 de março de 2015
Toquem os sinos da indignação
(*) Rinaldo Barros
Juro que tentei entrar no espírito da Páscoa, com seus símbolos da chegada de uma nova vida, e disseminar esperanças de renovação para todos. Todavia, a análise do atual cenário que se nos apresenta não permitiu. Senão, vejamos melhor como estamos hoje no Brasil e no mundo.
Ninguém conseguiu “desentupir as veias do sistema financeiro, vítima de trombose", conforme a descrição de Christine Lagarde, a ex-ministra francesa de Economia e atual presidente do FMI.
O noticiário vem sendo o mesmo nos últimos meses: crise financeira, bolsas despencando, bancos e megaempresas indo à bancarrota, desindustrialização, pacotes governamentais tentando injetar estabilidade na economia, no patropi e em diversos outros países. Sempre do ponto de vista do capital. Sempre.
Nada sobre o futuro do trabalhador, nem sobre a redução das margens de lucro (spread) dos bancos, nem sobre a redução das despesas do governo.
Ainda não ouvimos uma palavra, uma análise, um gesto que possa sinalizar uma ação de busca às reais causas da turbulência econômica. Está evidente que a roupa não carece de mais remendos.
Há que se pensar - com sentido de urgência - em uma nova roupa com que se possa vestir a economia. Uma roupagem que abrigue os muitos milhões de miseráveis do Brasil e do mundo.
Um traje que seja desenhado com as linhas da dignidade humana.
O atual sistema político e financeiro do é, sob qualquer ângulo que se analise, insustentável. Um sistema que reproduz um padrão de desigualdade brutal, vitimando milhões de seres humanos, condenando a maioria da população a uma existência física abaixo da linha da pobreza. Escondida pela propaganda.
Para comprovar isso, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) denuncia: a soma da renda das 500 pessoas mais ricas do mundo supera em muito a dos 400 milhões mais pobres.
Em outras palavras, apenas um multimilionário ganha mais do que 1 milhão de pessoas!
Esta constatação serve na medida como epitáfio de um mundo impossível de ser mundo, um mundo constantemente a desafiar o mais comezinho bom senso sobre o que nos reserva o futuro.
A produção mundial segue de vento em popa e carrega consigo o estigma real das desigualdades sociais. Basta que entendamos que atualmente, 80% da produção industrial do mundo são absorvidos por apenas 20% da população que vive nos países mais ricos do hemisfério Norte.
Enquanto a fome é distribuída indiscriminadamente, o bem-estar continua privilégio de uns poucos.
Assuntando cá no meu canto, tentei, então, me convencer que a crise verdadeira é a crise que fará o mundo mergulhar em uma tomada de consciência jamais tentada, é a crise de valores humanos universais. Crise da ética.
Meu anseio por um mundo melhor ressurgiu tão intenso que - ingenuamente – vislumbrei a utopia que ainda é possível construir um mundo sustentável, que nada foi em vão. Um reencantamento, sem dúvida.
Mas, para botar os pés no chão, inventei de fazer um rápido passeio pela juventude contemporânea, passando pelas rádios, TVs e revistas, conferindo as grades de programas destinados às gerações do futuro.
Fiquei impressionado. Um festival de nada com nada. Cabeças vazias pontificando aqui e ali. O único culto a unir diversas faixas de idade, mas dentro do intervalo de 13 a 30 anos, é o culto à beleza-padrão, à saúde física, à beleza dos rostos e dos corpos. A maior vitrine que temos de há quantas anda a nossa juventude pode ser conferida 24 horas por dia (nos canais pagos) e nos horários nobres diários (nos canais abertos) através de programas tipo Big Brother Brasil. Com altos índices de audiência.
Ali (re) conhecemos o pobre linguajar de nossos jovens, a sem cerimônia no uso e abuso de palavras de baixíssimo nível, num clima de muito sexo sem amor, o excesso de gírias, caras e bocas e a falta de conteúdo para defender qualquer que fosse o ponto de vista, acerca de qualquer tema ou assunto.
Sem nem levar em conta o tsunami de corrupção que assola o patropi; o choque de realidade me levou ao temor de que nossa sociedade seja suicida, e que o nosso futuro pode ser a barbárie.
Resumo da ópera: se um dos objetivos de qualquer geração é moldar o processo decisório dos anos à nossa frente, não temos muito a comemorar nem para abastecer nossa carga de esperanças em um mundo melhor, mais humano, saudável e, sobretudo, habitável.
Em plena Páscoa, cansado de tanto “ver triunfar as nulidades”, só vejo desencanto.
Não perguntem por quem os sinos dobram. Toquem os sinos da indignação pela inimaginável miséria presente nos campos, vilarejos e periferias das metrópoles brasileiras.
Essa história foi contada no blogue Bar de Ferreirinha, dia 19 de julho de 2009.
O link é: http://bardeferreirinha.blogspot.com/2009/07/caico-e-corrida-para-conquista-do.html
Abraço,
Roberto Fontes
Mas acho que nem a NASA fabricaria um foguete tão grande…
Brasília-DF
Só em Caicó mesmo!!!devia fazer parte de uma série inclusive dramatizada…hahahahahaha