O texto abaixo é do meu querido amigoVictor Avila. Victor foi meu colega no curso de física na USP e companheiro de república e aventuras. Sobrevivemos à ditadura. Ao AI5. Ele é doutor em astrofísica e oceonógrafo. Leiam o seu depoimento e vejam um exemplo do que perdemos com o golpe de 16.
"Hoje é um dia histórico! Comemoramos que extraimos agora mais petróleo do pré-sal do que do pós-sal. E hoje faz 36 anos que dou aulas de Oceanografia na UERJ. Já estava lá quando meus alunos participavam de levantamentos oceanográficos para a reivindicação das 200 milhas. Também estava lá quando meus alunos participavam de levantamentos oceanográficos para a prospecção do pré-sal. Hoje também estou há varios meses sem receber. E com 68 anos de idade aprendi que, na calada da noite, hoje, a paridade com a ativa na aposentadoria se transformou, na lógica da oligarquia brasileira, em um terço do salário. Simples assim: 1/1 = 1/3. Resultado dessa equação: Não temos aposentadoria. Teremos que trabalhar até os 75 anos quando seremos despedidos por velhice. Ou dispor de sabedoria para morrer antes disso. E hoje também a UERJ fechou as portas por tempo indeterminado por absoluta falta de recursos. Vamos comemorar? Vamos bater panelas para homenagear a oligarquia brasileira com suas malas plenas de dinheiro de propina?"
Volkswagen colaborou ativamente com a ditadura brasileira, diz imprensa alemã
A filial brasileira da Volkswagen supostamente colaborou ativamente com a ditadura no Brasil na perseguição de opositores políticos, segundo informaram neste domingo o jornal "Süddeutsche Zeitung" e as emissoras "NDR" e "SWR".
A imprensa alemã detalha que há quase dois anos foi aberta em São Paulo uma investigação sobre a Volkswagen do Brasil para determinar a responsabilidade da empresa na violação dos direitos humanos durante a ditadura de 1964 a 1985.
Em 2016, aempresa nomeou para uma investigação sobre seu passadoo historiador Christopher Kopper, que confirmou a existência de "uma colaboração regular" entre o departamento de segurança da filial e a polícia política do regime.
"O departamento de segurança atuou como um braço da polícia política dentro da fábrica da VW", apontou Kooper, pesquisador da Universidade de Bielefeld.
"Permitiu as detenções" e pode ser que ao compartilhar informação com a polícia "contribuísse para elas", acrescentou o historiador.
Fábrica em São Bernardo do Campo (SP) é a 1ª da Volkswagen fora da Alemanha (Foto: Divulgação)
Segundo os meios citados, a filial brasileira espionou seus trabalhadores e suas ideias políticas, e os dados acabaram em "listas negras" em mãos da polícia política. Os afetados lembram como foram torturados durante meses, após terem se unido a grupos opositores.
Conforme estabeleceu Comissão Nacional da Verdade, que examinou as violações dos direitos humanos cometidas pela ditadura brasileira, muitas empresas privadas, nacionais e estrangeiras, deram apoio tanto financeiro como operacional ao regime militar.
No caso da Volkswagen, a comissão constatou que alguns galpões que a empresa tinha em uma fábrica de São Bernardo do Campo (SP) foram cedidos aos militares, que os usaram como centros de detenção e tortura.
Além disso, a comissão sustentou que encontrou provas que a empresa alemã doou ao regime militar cerca de 200 veículos, que depois foram usados pelos serviços de repressão.
"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".
Dom Helder Câmara
domingo, 30 de outubro de 2016
Coisas da República: Floriano Peixoto, o Marechal de Ferro – por Armando Lopes Rafael
Daqui a duas semanas o calendário das efemérides históricas de nossa pátria relembrará a data do “15 de Novembro”, para comemorar o golpe militar que implantou a República no Brasil. Assim, oportuno relembrar o início do regime republicano ente nós, que passou para a história como “A República da Espada”. Este foi o período no qual o Brasil foi governado – entre os anos de 1889 a 1894 – pelos marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. Trata-se de uma época caracterizada como uma ditadura militar. Durante esse período foram comuns os levantes populares e a repressão a focos de resistência simpáticos ao Imperador Dom Pedro II e à restauração da monarquia.
Neste artigo, por questão de brevidade, falaremos apenas sobre o Marechal Floriano Vieira Peixoto, nascido em Maceió em 30 de abril de 1839 e falecido em Divisa, hoje chamada de Floriano, localizada no Estado do Rio de Janeiro, em 29 de junho de 1895. Depois do golpe militar que derrubou a monarquia, Floriano foi eleito, numa eleição indireta pelo Congresso, como vice-presidente da chapa única capitaneada pelo Marechal Deodoro da Fonseca.
Com a renúncia de Deodoro, Floriano Peixoto presidiu o Brasil de 23 de novembro de 1891 a 15 de novembro de 1894. Segundo a constituição republicana imposta pelos militares, o vice só poderia ser presidente se o próprio tivesse governado por mais de dois anos. Ora, Deodoro só governou 6 meses e renunciou por pressão dos seus colegas do Exército. Pressionado também para renunciar, Floriano não titubeou. Talvez naquela ocasião ele tenha dito (com outras palavras, é claro) o que diria – em 1968 – outro famoso militar, Jarbas Passarinho, durante reunião ministerial que decretou o AI 5, começando nova ditadura entre nós. A frase de Passarinho foi esta: "Às favas, senhor presidente, neste momento, todos os escrúpulos de consciência.”.
Por consequência, o Marechal Floriano Peixoto foi o segundo presidente do Brasil, e o segundo a chegar ao poder sem o voto popular. Ao longo da República isso passaria a ser corriqueiro. Mas voltemos a Floriano Peixoto. Ele passou à história como o mais sanguinário dos presidentes da República. O “Marechal de Ferro”, como era chamado Floriano Peixoto, enfrentou protestos da oposição que não o aceitava como presidente. A oposição queria a convocação de novas eleições. Floriano, no entanto, reprimiu todos os protestos contra ele e contra a nascente República. Logo no início, adotou medidas para enfraquecer e combater os monarquistas. Muito sangue correu para abafar esses protestos.
Outra rebelião que ele derrotou foi a chamada “Revolta da Armada” um movimento ocorrido em 1893 e liderado por algumas unidades da Marinha Brasileira contra o governo republicano. Naquele episódio muitos cadetes foram mortos a fio de espada. Depois, Floriano derrotou também outra rebelião surgida no sul do País: a Revolução Federalista um conflito de caráter político, iniciado no Rio Grande do Sul entre os anos de 1893 e 1895, que desencadeou numa revolta armada. Esta revolta atingiu também o Paraná e Santa Catarina. Muito sangue também foi derramado nesta rebelião.
Depois que deixou a presidência Floriano se refugiou no interior do Estado do Rio de Janeiro e não quis mais saber de política. Após sua morte Floriano recebeu muitas homenagens, Brasil afora. No Piauí, a cidade de Floriano foi chamada assim para homenageá-lo. Já a capital do Estado de Santa Catarina, a cidade de Desterro, teve seu nome mudado para Florianópolis.
A história, sempre implacável em seus julgamentos, destaca hoje principalmente a ferocidade de que era dotado este caudilho alagoano...
Lula, Dilma, Temer e os que o cercam hoje, são a resultante da republica proclamada pelos marechais sejam eles Deodoro da Fonseca ou Floriano Peixoto. Pouca diferença faz. Resulta no mesmo. Escárnio, nojo, podridão.
Floriano Peixoto recusou a residência oficial e viveu em uma casa modesta de subúrbio. Para voltar para casa tomava o bonde é pagava a passagem do próprio bolso. O Marechal de Ferro foi o consolidador da República.
–– 1 ¬¬–– Para se analisar um fato histórico temos de voltar à mentalidade da população que vivia ao tempo em que este fato histórico aconteceu. Rio de Janeiro: 15 de novembro de 1889. O Brasil vivia até esta data um tempo de progresso. Tudo funcionava. Havia respeito e ordem. No Império não se registrava denúncias de corrupção. O Imperador e a família imperial eram amados e respeitados pelo povo brasileiro. Os golpistas republicanos tiveram de expulsar Dom Pedro II e sua família nas caladas da noite, para evitar a revolta do povo. A cidade do Rio de Janeiro – a capital do Império do Brasil – passa a ser “a capital dos ESTADOS UNIDOS DO BRASIL” (sempre a eterna imitação servil aos norte-americanos, que seria a marca registrada dessa caótica república). No mesmo dia 15 de novembro de 1889, é editado o Decreto nº1 do “GOVERNO PROVISÓRIO”, decreto que previa a realização de um plebiscito para o povo escolher se o Brasil continuaria como república ou voltaria a ser monarquia. Os golpistas não cumpriram a palavra, como sói acontecer. O plebiscito só seria realizado 105 anos depois, em 1993, mas os herdeiros da Família Imperial foram proibidos de aparecer na televisão para mostrar as vantagens da monarquia e defender esta forma de governo. Como sempre os republicanos não cumpriram a palavra e o plebiscito de 1993 foi manipulado e não concedeu o tempo necessário para a “massa ignara” (“meu Deus onde vai parar essa massa”?) ficar informada sobre essa mudança da forma de governo. Graças à massa ignara Venceu o pior: a República e, pasmem, república com presidencialismo...
–– 2 –– Dentre as primeiras decisões adotada pelo GOVERNO PROVISÓRIO, dos Marechais Deodoro e Floriano Peixoto destacam-se a separação entre a Igreja e o Estado; a secularização dos cemitérios, e a instituição do registro civil de nascimentos, casamentos e óbitos, o que, até então, era validado pela Igreja Católica. Em Barbalha o líder católico Zuca Sampaio escreveu um protesto no Livro da Família Sampaio, onde previa que a República seria um fracasso. Acertou na mosca!” Os militares que fizeram determinaram, também, acertado também, que, no primeiro aniversário da República, se instalaria a Assembleia Constituinte, segundo convocação a ser feita oportunamente. Em um ano e dois meses, o projeto final da Constituição dos Estados Unidos do Brasil estava pronto, discutido, emendado e votado. A Constituição, em sua redação final, foi promulgada pelo Congresso em 24 de fevereiro de 1891, entrando imediatamente em vigor. No dia seguinte, seria eleito o presidente da República, nesta primeira vez, excepcionalmente, por via indireta, com o voto dos parlamentares. Deodoro da Fonseca/Floriano Peixoto por eleitos com 163 votos. Isto mesmo menos de duas centenas de votos. Previa-se somente que a partir do segundo Presidente é os presidentes seriam eleitos pelo voto diretos dos “cidadãos”.
–– 3 –– Floriano Peixoto serviu à Monarquia até 15 de novembro de 1889. No último gabinete do Império (comandado pelo Visconde de Ouro Prsto) este visconde nomeou Floriano Peixoto como ajudante geral do Exército. Nessa condição, em 15 de novembro de 1889, coube a ele comandar as tropas que, dentro do Campo de Santana, deviam preservar o Quartel General do Exército contra a investida dos soldados do marechal Deodoro, protegendo a autoridade do Visconde de Ouro Preto, Chefe de Governo, que estava ali asilado. Floriano Peixtoi mudou de lado e recusou-se, porém, a ordenar o contra-ataque, permitindo que Deodoro invadisse o quartel, com a subsequente prisão do ministro Visconde de Ouro Preto, chefe do Conselho de Ministros do Império. Essa traição jamais for perdoada pelos seus inimigos que lhe apontam, também, outras fraquezas de caráter, como relaciona Iberê de Matos: "a traição a Ouro Preto [mencionada acima]; a aversão que lhe tinham Deodoro e Benjamin Constant, que não podiam ser gratuitas; a atitude dúbia ou traiçoeira no episódio da eleição [à Presidência]; o apego ambicioso a um poder que não lhe pertencia; a impiedosa repressão, com requintes de maldade, culminando com as tentativas de assassinato, pelo desterro para regiões inabitáveis, de homens como José do Patrocínio, e os massacres no Paraná e Santa Catarina; seu desprezo pela dignidade de homens como Gaspar da Silveira Martins, Custódio de Mello, Saldanha da Gama, Wandenkolk, José do Patrocínio, Olavo Bilac e tantos outros que foram vítimas de processos infamantes e perversos..." Outro autor, José Maria Bello, faz sua análise da personalidade de Floriano. Leia no tópico 4 abaixo:
––– 4 –– "Não se distinguia Floriano por nenhum dom exterior de fascínio ou de domínio. Descuidado de si mesmo, máscara medíocre, de traços inexpressivos e adoentados. Falta-lhe, por exemplo, o porte marcial, o élan, o olhar lampejante de Deodoro. Não lhe vibra a voz arrastada de caboclo do Norte; não se lhe impacientam jamais os gestos e as atitudes. Pela perfeita impassibilidade, como por outras virtudes e defeitos, lembra Benito Juarez [presidente mexicano do Sec. XIX], vindo da mesma origem ameríndia. Não tem brilho a sua inteligência que é, especialmente, a intuição divinatória dos homens. Escassa a sua cultura, quase reduzida aos vulgares conhecimentos técnicos da profissão. Não revela curiosidades intelectuais, dúvidas, aflições de vida interior. Desdenha o dinheiro. Deixam-no completamente indiferente as comodidades materiais da vida. Despreza a humanidade e, por isso mesmo, nivela facilmente todos os valores que o cercam. Confundindo-se de bom grado nas multidões humildes das ruas, conserva-se, entretanto, impenetrável a qualquer intimidade. A família, de pequeno estilo burguês, esgota-lhe, porventura, a capacidade afetiva. Como os de sua raça cabocla, é um irredutível desconfiado. Não se expande nunca. Simples e acessível embora, é incapaz de intempestivas familiaridades, de grossas e alegres pilhérias, tão fáceis, sempre, em Deodoro. No fundo, um triste. A sua ironia, tão frisante no vasto anedotário que corre por sua conta, tem sempre alguma coisa do gélido e do cruel dos temperamentos ressentidos e amargos." É este homem, cujo perfil o aproxima mais a uma máquina do que a um ser humano, que chega, agora, ao governo e se propõe a consolidar a República com sua mão de ferro.
Em entrevista à DW Brasil, escritora Sarah Helm, autora de "Ravensbrück", revela que Olga Benário assumiu papel de liderança entre as detentas no campo de concentração. Governo britânico foi responsável por sua prisão.
Ravensbruck foi o maior campo de concentração exclusivo para mulheres
A militante alemã Olga Benário Prestes, mulher do líder comunista brasileiro Luís Carlos Prestes, teve seu destino selado pela inteligência britânica por duas vezes, revela o livro Ravensbrück (Editora Record), que acaba de chegar às livrarias do Brasil. Escrito pela jornalista britânica Sarah Helm, o livro resgata a história do campo de concentração exclusivo para mulheres, onde Olga esteve presa.
Documentos obtidos por Sarah Helm revelam que a prisão de Olga [e Prestes] no Brasil, após a Intentona Comunista, só foi possível graças a informações repassadas pelo governo britânico em 1936. Logo veio o pedido de deportação para a Alemanha, já sob o governo de Adolf Hitler – uma grande ameaça para uma jovem comunista e judia.
Olga Benário foi uma das primeiras mulheres a chegar a Ravensbrück
Os documentos mostram também que, no mesmo ano, a inteligência britânica avisou que os comunistas ingleses pretendiam interceptar o navio que levava Olga – grávida de sete meses – do Brasil para a Alemanha e libertá-la na Inglaterra. Por conta da informação, a escala britânica da viagem foi cancelada, e a militante seguiu direto para Hamburgo, onde foi entregue nas mãos da Gestapo.
Após sete anos presa, acalentando a ideia de que poderia ser libertada a qualquer momento, Olga foi enviada ao campo de extermínio de Bernburg, onde foi morta na câmera de gás, em 23 de abril de 1942, aos 34 anos de idade, junto com outras 199 prisioneiras.
Em entrevista à DW Brasil, Sarah Helm fala sobre o papel de liderança que Olga teve entre as mulheres no campo de concentração.
DW Brasil: Olga Benário teria chegado a Ravensbrück logo depois de ter sido separada de sua filha recém-nascida, Anita, certo?
Sarah Helm: Sim. Ela ficou um tempo em uma prisão de mulheres da Gestapo em Berlim, onde sua filha Anita nasceu e foi amamentada. Em março de 1938, depois de ser separada da filha, ela foi enviada a Litchenburg, um campo temporário, e, em 1939, para Ravensbrück. Ela estava entre as primeiras mulheres a chegar neste campo.
DW: Pesquisando para o livro, o que você descobriu de novo sobre Olga?
SH: Tive acesso à toda a coleção de cartas e descobri que, olhando para todas elas, temos uma ideia bem melhor da vida e da morte dela nos campos de concentração. Sabemos sobre os protestos que organizava, seu trabalho como chefe do bloco judeu. Era uma mulher forte, que se sobressaía, as outras prisioneiras ficavam muito impressionadas com ela.
DW: Qual era o trabalho de Olga em Ravensbrück?
SH: Ela era responsável por um dos blocos de prisioneiras, o das judias, o que significa que tinha que obedecer aos nazistas e manter a ordem no bloco. Para ela, foi uma tarefa difícil. Mas, por outro lado, ela também podia ajudar as prisioneiras. Ela conseguia fazer contato com outras prisioneiras comunistas e foi criando uma rede de resistência.
O maior campo de concentração para mulheres da Alemanha foi construído em 1939
DW: Em que consistia exatamente essa rede?
SH: Ela fazia muitas coisas pelas presas. Lia poemas, fazia exercícios físicos, organizou, com as comunistas, um grupo de leitura de Tolstoi [como o livro era banido pelo regime, os nazistas o usavam como papel higiênico, o que logo chamou a atenção das presas, que o resgataram]. Esse grupo de leitura foi descoberto certa vez, o que rendeu punições severas, com várias presas indo para a solitária e passando fome por semanas.
DW: O que mais te chamou a atenção na história de Olga?
SH: Ela realmente acreditou, quase até o fim, que conseguiria sair, ser libertada. Havia uma lei que garantia a liberdade se a pessoa fosse casada com alguém natural de um país estrangeiro, o que era o caso dela. E havia uma campanha mundial liderada pela mãe de Luís Carlos Prestes pedindo por sua libertação. Mas a guerra eclodiu antes que elas conseguissem o visto.
DW: Você menciona que a inteligência britânica selou o destino de Olga por duas vezes. Como foi?
SH: A inteligência britânica estava monitorando um comunista alemão, Arthur Ewert, que fazia parte do grupo de Prestes. Foi por meio desse monitoramento que eles descobriram o paradeiro de Prestes e Olga [que estavam na clandestinidade após a Intentona Comunista no Brasil] e o informaram para o governo brasileiro. Mais tarde, depois que Olga já tinha sido presa e estava sendo levada para a Alemanha, foi novamente a inteligência britânica quem interceptou um comunicado entre o Partido Comunista Soviético e o Partido Comunista Britânico, pedindo que Olga fosse resgatada durante a escala do navio em Southampton. Com a informação, o navio acabou seguindo direto para a Alemanha [até então se acreditava que a grande ameaça ao mundo era o comunismo, não o nazismo]. Então, sim, podemos dizer que, de certa forma, o governo britânico foi responsável pelo destino de Olga.
segunda-feira, 24 de abril de 2017
COMISSÃO DA VERDADE
24/04/2017
11:54
Ditadura torturou, perseguiu, matou ou espionou 316 na UFRN
Relatório final da Comissão da Verdade da UFRN revela, pela primeira vez, íntegra dos nomes
Tortura, desaparecimento, perseguição, mortes. As masmorras da ditadura, registra a história, costumaram ser mais impiedosas dentro dos círculos de efervescência cultural e política, que tinha no movimento estudantil uma de suas mais fortes expressões.
No Estado, o breu dos anos de chumbo tombou fortemente sobre a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que já experimentara nos anos anteriores ensaios de repressão à atividade política em face da polarização Dinarte Mariz x Aluízio Alves. Nada, no entanto, foi tão forte e cruel quanto o que estava por vir a partir daquele 1º de abril de 1964, data a partir da qual se instalou o regime totalitário.
Detalhes e nomes ficaram ocultos na linha do tempo e o breu sobre a verdade permaneceu. Professores e alunos que foram perseguidos, espionados, torturados e humilhados tiveram suas histórias enevoadas pela escuridão e o esquecimento. Os nomes e os enredos nunca vieram à tona em sua integralidade, o que permitiu que a escuridão ainda tivesse vida. Até agora.
Entre 1964 e 1985, 316 pessoas foram alvos de algum tipo de intervenção militar na UFRN. Foram cinco professores e 33 estudantes presos; 25 professores e dois estudantes expulsos por questões ideológicas; 13 membros torturados ou vítimas de tratamento degradante; um estudante expulso pelo Decreto-Lei nº 477; 10 membros sofreram repressão política sem serem presos; dois estudantes foram assassinados; um professor é tido como desaparecido político e 259 pessoas foram fichadas pelos órgãos de repressão e informações da Ditadura Militar.
As informações são resultado do trabalho da Comissão da Verdade da UFRN, cujo relatório final, que embasa essa reportagem, reúne documentos dos órgãos de repressão militares, especialmente a Assessoria de Segurança e Informação (ASI) da UFRN, o braço da repressão nas universidades criado a partir de determinação dos militares.
Abaixo, reproduzimos as listas, compiladas pelo tipo de circunstância de que foi vítima cada uma das 316 pessoas:
Direito de imagemREUTERSImage captionComo o 'Grande Irmão' do livro '1984', de George Orwell, o Google tem acesso a um mundo de informações
"Quando usa os serviços do Google, você confia a nós sua informação", deixam logo claro os termos e condições de privacidade do principal site de buscas do mundo.
Seu nome, seu endereço, sua idade, seu endereço de e-mail. Seu modelo de telefone, sua operadora de telefonia celular, seu plano e consumo telefônico e de internet.
As palavras que usa com mais frequência em seus e-mails. Todos os e-mails que tenha escrito ou recebido, incluindo spam. Os nomes de seus contatos, seus endereços e telefones.
As fotos que faz com seu telefone Android, ainda que tenha apagado tudo e nunca publicado em redes sociais. Os sites em que navega, dentro e fora do país; a data da visita e o caminho que levou para chegar. A rapidez com que chegou. O cartão de crédito ou débito que usa para pagar.
O Google sabe muito sobre você, certo? E de quem é a culpa? Sua, claro
Lee Munson, especialista em segurança
Todos os sites da internet que visitou por meio do Google, a frequência e o que viu dentro de cada um. Em qual idioma procura. A hora em que navega. Com quem conversou via Hangouts. Quais vídeos te agradam e quais músicas escuta.
Essas e outras categorias aparecem no documento de política de privacidade do Google (aqui o link, em inglês), que soma 2.874 palavras.
"O Google sabe muito sobre você, certo? E de quem é a culpa? Sua, claro", diz Lee Munson, investigador em segurança da Comparitech.com.
"As pessoas confiam demais e compartilham sem pensar muitas informações sobre si, quando a recompensa é uma conta gratuita de e-mail, alguns gigas de armazenamento e a possibilidade de pertencer a um mundo virtual com seus amigos e conhecidos."
Tudo é feito de forma legal, assim que você marca concorda com os termos e condições da empresa.
Confira como você pode encontrar seus dados.
'Minha conta'
Desde junho de 2015, o Google reúne toda a informação que coleta sobre seus usuários em um lugar chamado "minha conta" ou "my account", em inglês.
Você tem uma conta do Google se já fez um e-mail Gmail ou até se já iniciou uma sessão em telefone ou tablet Android, se trabalhou em arquivos no Google Docs ou está registrado no YouTube.
Segundo dados citados pela publicação Business Insider em janeiro deste ano, estima-se que haja 2,2 bilhões de usuários ativos no Google. Ou seja: é bem provável que seu nome esteja na lista.
Comecemos com sua conta no Gmail. O círculo no canto superior esquerdo com sua inicial é o ponto de partida.
Você chegará a uma página como a reproduzida acima.
Algumas categorias interessantes em termos de dados coletados são "aplicativos e sites conectados", "suas informações pessoais", "configurações de anúncios", "idiomas e ferramentas de entrada".
"Verificação de segurança" e "check-up de privacidade" são duas janelas que permitem ajustar e restringir informação diretamente.
Mas vamos seguir com a opção marcada pela seta: a janela "Minha atividade".
Direito de imagemREPRODUÇÃO
"Minha atividade" abre, de novo, várias opções.
A tela exibida abaixo é a geral (que aqui aparece em inglês, mesmo com a conta configurada para português como idioma principal). Inclui atividade diária no YouTube, busca, notificações, notícias e ajuda, item por item.
Mas é possível filtrar o material por data e produto específico, clicando na seta vermelha mais ao alto.
Há ainda a opção de apagar seu histórico, indicada pela seta mais abaixo na tela.
Mas antes de confirmar a ação, aparecerá uma mensagem do Google que diz que "sua atividade pode fazer com o Google seja mais útil, com melhores opções de transporte pelos mapas e melhores resultados de busca".
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No canto superior esquerdo, o ícone de menu (três listas horizontais) abre outro mundo de dados.
Use a opção "outra atividade no Google" para acessar o que o Google guarda sobre suas viagens, telefone e muito mais.
Tudo o que já fez pelo Google Maps deverá estar registrado. Para checar todos os dados nessa categoria, volte a "minha atividade" e filtre os resultados pelas categorias "maps" e "maps timeline".
O Google dá a opção de informar o endereço de casa e do trabalho.
Direito de imagemREPRODUÇÃO
Outra categoria reveladora são os anúncios. Para chegar lá, volte ao primeiro passo, "minha conta".
Clique em "configurações de anúncios". Uma vez lá, selecione a opção "gerenciar as configurações de anúncios" e descubra o que o Google imagina que te interesse (a partir do que procura com mais frequência).
Direito de imagemREPRODUÇÃO
Você também pode solicitar ao Google uma cópia de toda a informação que a empresa guarda sobre você.
Para isso, volte a "minha conta" (canto superior direito, no círculo com sua inicial).
Logo abaixo de "configuração de anúncios" está "controlar seu conteúdo". Escolha essa opção e encontrará uma tela como esta:
Direito de imagemREPRODUÇÃO
"Criar arquivo" levará a uma janela com a opção de decidir quais dados de serviços.
O Google adverte que compilar os dados pode levar dias. No caso da repórter, em cerca de duas horas três arquivos chegaram ao Gmail.
Baixar os arquivos levou mais duas horas. E abrir alguns deles foi um pouco complicado: alguns vêm em formatos que não são comuns, como .json o .mbox.
Os arquivos continham todas as mensagens de e-mail da repórter - foi possível abri-las após encontrar uma programa que lia arquivos com extensão .mbox.
Não é possível acessar uma lista de "palavras mais usadas" nas mensagens - o Google diz que o processo de monitoramento das mensagens é "totalmente automatizado".
Image captionO arquivo com as mensagens pessoais recuperadas
E o Google ainda tinha as fotos. Todas que a repórter havia feito com seu telefone nos últimos dois anos. Deletadas our não, compartilhadas ou não.
Como isso é possível?
A resposta é simples: tudo tem um preço.
Você não paga seu e-mail nem seu serviço de vídeos em dinheiro vivo, mas em dados.
Como diz o especialista em segurança Lee Munson, "a informação é a nova moeda de troca".
"É uma mina de ouro. Para o Google, representa bilhões de dólares", concorda Jonathan Sander, vice-presidente da Lieberman Software.
Direito de imagemAFPImage captionOs dados são fonte de renda para o Google
Desde que diga que concorda com termos e condições que quase sempre não lê, você está entregando suas informações.
Mas há quem discorde dessas condições.
"A legalidade e a interpretação da lei dependem das regras e normais locais", afirma Mark James, especialista em segurança da ESET.
"O Google e a Europa já se enfrentaram por temas como privacidade, monopólio, direito a ser esquecido, coleta de dados. A empresa foi multada em alguns casos, mais geralmente se considera que opera dentro do marco legal."
O que fazer?
Estamos à mercê desse gigante da tecnologia então?
Especialistas concordam que há muito pouco a ser feito nesse sentido.
"É preciso um esforço consciente e organizado para evitar ser seguido (em sua navegação na internet). Por exemplo, não usar o Google e executar atividades diferentes em máquinas distintas, ou com contas diferentes", afirma James.
"Considere a possibilidade de apagar a localização, de usar contas de e-mail que na verdade não usa para entrar em sites de compras, usar datas de nascimento ligeiramente incorretas desde que seja legalmente possível e nunca, nunca, nunca diga ao Facebook, Twitter ou outra rede social o que comeu no café da manhã, e muito menos detalhes pessoais e principais fatos de sua vida", aconselha Munson.
Para se analisar um fato histórico temos de voltar à mentalidade da população que vivia ao tempo em que este fato histórico aconteceu. Rio de Janeiro: 15 de novembro de 1889. O Brasil vivia até esta data um tempo de progresso. Tudo funcionava. Havia respeito e ordem. No Império não se registrava denúncias de corrupção. O Imperador e a família imperial eram amados e respeitados pelo povo brasileiro. Os golpistas republicanos tiveram de expulsar Dom Pedro II e sua família nas caladas da noite, para evitar a revolta do povo.
A cidade do Rio de Janeiro – a capital do Império do Brasil – passa a ser “a capital dos ESTADOS UNIDOS DO BRASIL” (sempre a eterna imitação servil aos norte-americanos, que seria a marca registrada dessa caótica república). No mesmo dia 15 de novembro de 1889, é editado o Decreto nº1 do “GOVERNO PROVISÓRIO”, decreto que previa a realização de um plebiscito para o povo escolher se o Brasil continuaria como república ou voltaria a ser monarquia. Os golpistas não cumpriram a palavra, como sói acontecer. O plebiscito só seria realizado 105 anos depois, em 1993, mas os herdeiros da Família Imperial foram proibidos de aparecer na televisão para mostrar as vantagens da monarquia e defender esta forma de governo. Como sempre os republicanos não cumpriram a palavra e o plebiscito de 1993 foi manipulado e não concedeu o tempo necessário para a “massa ignara” (“meu Deus onde vai parar essa massa”?) ficar informada sobre essa mudança da forma de governo. Graças à massa ignara Venceu o pior: a República e, pasmem, república com presidencialismo...
Dentre as primeiras decisões adotada pelo GOVERNO PROVISÓRIO, dos Marechais Deodoro e Floriano Peixoto destacam-se a separação entre a Igreja e o Estado; a secularização dos cemitérios, e a instituição do registro civil de nascimentos, casamentos e óbitos, o que, até então, era validado pela Igreja Católica. Em Barbalha o líder católico Zuca Sampaio escreveu um protesto no Livro da Família Sampaio, onde previa que a República seria um fracasso. Acertou na mosca!” Os militares que fizeram determinaram, também, acertado também, que, no primeiro aniversário da República, se instalaria a Assembleia Constituinte, segundo convocação a ser feita oportunamente.
Em um ano e dois meses, o projeto final da Constituição dos Estados Unidos do Brasil estava pronto, discutido, emendado e votado. A Constituição, em sua redação final, foi promulgada pelo Congresso em 24 de fevereiro de 1891, entrando imediatamente em vigor. No dia seguinte, seria eleito o presidente da República, nesta primeira vez, excepcionalmente, por via indireta, com o voto dos parlamentares. Deodoro da Fonseca/Floriano Peixoto por eleitos com 163 votos. Isto mesmo menos de duas centenas de votos. Previa-se somente que a partir do segundo Presidente é os presidentes seriam eleitos pelo voto diretos dos “cidadãos”.
Floriano Peixoto serviu à Monarquia até 15 de novembro de 1889. No último gabinete do Império (comandado pelo Visconde de Ouro Prsto) este visconde nomeou Floriano Peixoto como ajudante geral do Exército. Nessa condição, em 15 de novembro de 1889, coube a ele comandar as tropas que, dentro do Campo de Santana, deviam preservar o Quartel General do Exército contra a investida dos soldados do marechal Deodoro, protegendo a autoridade do Visconde de Ouro Preto, Chefe de Governo, que estava ali asilado. Floriano Peixtoi mudou de lado e recusou-se, porém, a ordenar o contra-ataque, permitindo que Deodoro invadisse o quartel, com a subsequente prisão do ministro Visconde de Ouro Preto, chefe do Conselho de Ministros do Império.
Essa traição jamais for perdoada pelos seus inimigos que lhe apontam, também, outras fraquezas de caráter, como relaciona Iberê de Matos: "a traição a Ouro Preto [mencionada acima]; a aversão que lhe tinham Deodoro e Benjamin Constant, que não podiam ser gratuitas; a atitude dúbia ou traiçoeira no episódio da eleição [à Presidência]; o apego ambicioso a um poder que não lhe pertencia; a impiedosa repressão, com requintes de maldade, culminando com as tentativas de assassinato, pelo desterro para regiões inabitáveis, de homens como José do Patrocínio, e os massacres no Paraná e Santa Catarina; seu desprezo pela dignidade de homens como Gaspar da Silveira Martins, Custódio de Mello, Saldanha da Gama, Wandenkolk, José do Patrocínio, Olavo Bilac e tantos outros que foram vítimas de processos infamantes e perversos..." Outro autor, José Maria Bello, faz sua análise da personalidade de Floriano. Leia no tópico 4 abaixo:
"Não se distinguia Floriano por nenhum dom exterior de fascínio ou de domínio. Descuidado de si mesmo, máscara medíocre, de traços inexpressivos e adoentados. Falta-lhe, por exemplo, o porte marcial, o élan, o olhar lampejante de Deodoro. Não lhe vibra a voz arrastada de caboclo do Norte; não se lhe impacientam jamais os gestos e as atitudes. Pela perfeita impassibilidade, como por outras virtudes e defeitos, lembra Benito Juarez [presidente mexicano do Sec. XIX], vindo da mesma origem ameríndia. Não tem brilho a sua inteligência que é, especialmente, a intuição divinatória dos homens. Escassa a sua cultura, quase reduzida aos vulgares conhecimentos técnicos da profissão. Não revela curiosidades intelectuais, dúvidas, aflições de vida interior. Desdenha o dinheiro. Deixam-no completamente indiferente as comodidades materiais da vida. Despreza a humanidade e, por isso mesmo, nivela facilmente todos os valores que o cercam. Confundindo-se de bom grado nas multidões humildes das ruas, conserva-se, entretanto, impenetrável a qualquer intimidade. A família, de pequeno estilo burguês, esgota-lhe, porventura, a capacidade afetiva. Como os de sua raça cabocla, é um irredutível desconfiado. Não se expande nunca. Simples e acessível embora, é incapaz de intempestivas familiaridades, de grossas e alegres pilhérias, tão fáceis, sempre, em Deodoro. No fundo, um triste. A sua ironia, tão frisante no vasto anedotário que corre por sua conta, tem sempre alguma coisa do gélido e do cruel dos temperamentos ressentidos e amargos."
É este homem, cujo perfil o aproxima mais a uma máquina do que a um ser humano, que chega, agora, ao governo e se propõe a consolidar a República com sua mão de ferro.