terça-feira, 14 de janeiro de 2014

José D. Costa seria o "seu Costa" dos anos 60 que foi a Catolé do Rocha divulgar o marxismo aos estudantes? Leiam a matéria publicada no Jornal de Hoje de Natal/RN.

Aos 81 anos, José Dantas Costa abre o baú para resgatar memórias

Por mais de 50 anos ele alimentou o sonho de transformar a realidade de camponeses esfomeados com um socialismo tropical

José Dantas Costa um dia foi Pavel, um dos dirigentes da seção paraense do PCB. Foto: Divulgação
José Dantas Costa um dia foi Pavel, um dos dirigentes da seção paraense do PCB. Foto: Divulgação
Conrado Carlos
Editor de Cultura
A menos de setecentos metros de alguns dos principais templos religiosos e capitalistas de Natal (a Igreja Universal da Salgado Filho, o Natal Shopping e a Arena das Dunas), mora um ex-comunista. Mas um ex-comunista de fato, com serviços prestados ao partidão em diversas unidades da Federação, com inúmeras prisões no currículo e uma histórica ocupação das margens da rodovia Belém-Brasília, a BR-010, com seus quase dois mil quilômetros de extensão, construída no final dos anos 1950. Hoje um homem com 81 anos de idade, de frágil compleição e traços fidalgos, herdados de antepassados portugueses, franceses e holandeses, José Dantas Costa um dia foi Pavel, um dos dirigentes da seção paraense do PCB. Por mais de cinquenta anos ele alimentou o sonho de transformar a realidade de camponeses esfomeados com um socialismo tropical inspirado na Revolução Popular de Mao Tsé-tung.
Ainda criança, viu com os próprios olhos a semiescravidão que senhores de engenho alagoanos impunham aos trabalhadores de pele escura. Ao abandonar a utopia da juventude, decepcionado com a corrupção de antigos companheiros, adotou a poesia, a fotografia e viagens pelo mundo como novas bandeiras. Em pouco menos de três décadas, percorreu dois terços do planeta em andanças existenciais.
Corria o ano de 1932 e Marechal Deodoro, a primeira capital de Alagoas que, ironicamente, tomou emprestado o nome do primeiro presidente do Brasil vivia um clima pesado, com famílias tradicionais em pé de guerra.
Uma época violenta, em que disputas por terra e pela honra terminavam em mortes com revide garantido. Foi nesse ambiente que Sr. Dantas nasceu. Mal chegou à adolescência e seus pais o enviaram a Maceió, já promovida ao posto de maior município de um dos Estados mais pobres do país. A casa de um tio foi seu destino. Foi matriculado em uma escola industrial e mantido longe de outro irmão de seu pai que comandava as ‘ideias revolucionárias’ no núcleo familiar.  “Eu entrei cedo no Partido Comunista. Ainda estava na escola. Com o avanço dos direitos sociais que Getúlio Vargas copiou do fascismo italiano, vi que a vida dos camponeses poderia ser bem melhor. E como em minha família tinham vários membros do PC, foi um caminho natural que segui”. Os meros 15 anos vividos forneciam a disposição para intercalar agitações de rua com anseios púberes que o levaram à farra. “Garotos do interior sempre foram mais vivos, por isso eu perdi a virgindade muito jovem”.
Em outubro de 1947 o Brasil rompeu relações com a União Soviética e ser comunista virou um tormento. Surpreso com a vigente caçada, Sr.
Dantas estreou em uma prisão. Participava de uma movimentação na Maceió de antanho quando a polícia o prendeu. Foram quinze dias atrás das grades, para desespero de seus pais. “Aquilo foi um desastre na família. Eu era muito querido por todos, mas tinha fama de rebelde.
Quando fui preso foi como se confirmassem tudo o que pensavam a meu respeito”. O fato virou um marco zero na carreira de militante de esquerda. Nos anos subsequentes, perdeu a conta de quantas vezes visitou cadeias pútridas. “Só em 1964 foram oito vezes”. Abraçado pelo PC, ele virou uma espécie de enviado especial em vários Estados, aonde chegava com a obrigação de desenvolver a organização do partido, obcecado por três pilares pessoais: resistência, conhecimento e dedicação. Para tanto, estudos aprofundados em política e filosofia os credenciaram como peça indispensável no topo da estrutura. Peregrinou temporadas por Vitória, Salvador, Recife e Rio de Janeiro e despertou para a poesia, ao começar a publicar escritos nos jornais sob domínio da Esquerda. Até que o mandaram para Belém do Pará, um lugar então inóspito que seria sua casa pelos próximos trinta e dois anos.
“Naquela época, recebíamos cursos do Partido. Só que não tinha nada de guerrilha, eram cursos intelectuais. Sempre foi uma de minhas premissas, a da não violência. Ocupávamos terras no Pará, mas sem armas, sem agredir ninguém”. Em plena selva Amazônica, o jovem revolucionário aproveitou a fartura de atrativos carnais que todo pedaço de chão distante da civilização tem a oferecer. “Eu caí na gandaia na Amazônia”. Logo ele foi promovido a membro dirigente, o que permitiu sentar à mesa de negociações com gestores paraenses. Era um trabalho de difícil assimilação para os nativos, pois vigorava uma falta de consciência política, para quem os brasileiros apartados dos acontecimentos nacionais e internacionais. Mesmo assim, uma epopeia com 30 mil camponeses foi armada às margens da estrada recém-construída para ligar a capital Belém à cidade projetada por Lucio Costa e Oscar Niemeyer. “Eu falo isso, mas tem gente que acha que é mentira: reunimos trinta mil trabalhadores e ocupamos faixas de terra por toda a rodovia” – durante quatro anos, Sr. Dantas respondeu um processo devido ao episódio, livrando-se apenas ao entrar com recurso no Superior Tribunal Militar. Trabalhava na Petrobras, tinha separado da primeira mulher, com quem teve dois filhos, no momento em que topou vir a Natal.
“O PC no Pará era romântico e um das seções mais avançadas no Brasil. Achávamos realmente que iríamos mudar tudo”. Pavel, ou Sr. Dantas, chega ao Rio Grande do Norte para ocupar um cargo de almoxarife na Petrobras. Sustentou a militância por um tempo, só que desde o Pará tinha perdido o vigor. “O Partido não merecia mais confiança. Podiam nos chamar de tudo, de agitadores, radicais, tudo, menos de que fazíamos parte de algum esquema de roubo e corrupção”. Veio o desencanto que pegou parcela expressiva dos outrora comunistas. Sem ideologia a seguir, concentrou-se nos poemas e foi curtir a aposentadoria ao lado da segunda esposa, a advogada Aninha – mulher de fibra que se divide entre Natal e Belém, onde cuida da mãe enferma. Os temas de seus versos são variados, o que inclui críticas bem humoradas à política atual.
Com um livro preste a ser lançado, ele é moderado ao analisar o governo do PT. “Não existe governo que não tenha coisas positivas. O PT tinha um bom caminho para percorrer, mas houve absurdos nos acordos que o Lula fez. Esse tipo de coisa [acordos com partidos distintos] sempre foi tendencioso para casos de corrupção. Mas sem o apoio dos outros ele jamais poderia governar”.
Filho de uma geração que esnobou seus poetas, Sr. Dantas trava uma luta contra a DMRI, a Degeneração Macular Relacionada com a Idade, uma doença que pode causar cegueira. Seus olhos azuis estão gradativamente sendo atingidos na área nobre e central da retina. A captação de detalhes visuais tem sido cada vez mais difícil. O tratamento tem lhe custado caro no bolso e na paciência. Enquanto isso, novas viagens estão programadas para 2014. Há cerca de um mês ele voltou da Colômbia e do Panamá, e agora planeja conhecer o Equador, uma das poucas nações latino-americanas ausentes de sua lista. “Dizem que o comunista ficou rico”, fala com o sorriso aberto. Como em um poema, cuja manifestação artística parte da fantasia, da verdade ou da pura sensibilidade estética, a trajetória de José Dantas Costa manteve uma estrutura parecida com a rima e a métrica dos melhores versos. Ora alegre, ora triste, como no câncer mortal que vitimou a mãe dos dois filhos, sua vida daria um livro, talvez escrito por Graham Greene, ou um filme de 007. “Como na linguagem política, tudo tem vitórias e atrasos. Existe muita coisa que ainda quero observar e estou totalmente dedicado ao tratamento e pesquisas sobre a doença”.
 
Blog
Ontem o governo cubano divulgou dados sobre a mortalidade infantil na ilha em 2013. Segundo a mídia oficial, foi mais uma vitória na área da saúde, o que sempre foi destacado por eles, desde que chegaram ao poder, 55 anos atrás. Só esqueceram de combinar com Pedro Juan Gutiérrez, um de meus escritores prediletos. No blog (conradocarlos.jornaldehoje.com.br) eu fiz um breve comentário sobre sua obra e como ele retratou o Período Especial, a meia década (1991-1994) mais brutal já vivida pelos conterrâneos de Fidel Castro.
Circuito Verão
A capital do Seridó será a primeira cidade a receber o Circuito Verão, projeto realizado pelo Sistema Fecomércio RN, através do Sesc. Neste final de semana (04 e 05), na bonita Ilha de Santana, das 8h às 22h, com entrada gratuita, uma série de atividades esportivas e culturais, além de serviços na área d

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

UOL entrevista capitão Gary, o militar que prendeu CHE GUEVARA.

"Fiz coisas mais importantes na vida", diz militar que capturou Che Guevara

Marcel Vincenti
Do UOL, em Santa Cruz de la Sierra (Bolívia)
  • Marcel Vincenti/UOL
    O então capitão Gary Prado prendeu Che Guevara no interior da Bolívia em 8 de outubro de 1967
    O então capitão Gary Prado prendeu Che Guevara no interior da Bolívia em 8 de outubro de 1967
Na madrugada do dia 8 de outubro de 1967, ao receber a denúncia de que guerrilheiros andavam pela região da Quebrada del Yuro, o capitão da 8ª divisão do Exército boliviano, Gary Prado, não pensou duas vezes: arregimentou rapidamente 50 de seus melhores homens e os conduziu até o topo do cânion no qual, de fato, encontravam-se Che Guevara e parte de seu grupo armado, que havia quase um ano tentavam implantar um foco revolucionário no coração da América do Sul.
Após intensa troca de tiros, Che foi preso e conduzido por Prado ao vilarejo de La Higuera, onde foi executado a mando do então presidente da Bolívia, René Barrientos. 
Hoje com 74 anos, o agora general reformado ainda parece uma pessoa de prontidão para o combate – seja ele feito com armas ou palavras. Preso há mais de 30 anos a uma cadeira de rodas, devido a um projétil que destruiu sua espinha durante um evento militar (em um acidente nunca esclarecido), ele mostra-se um homem frio e de consciência tranquila: descreve com humor a ocasião em que, em 1968, quase foi assassinado por um grupo esquerdista no Rio de Janeiro (que queria vingar o guerrilheiro argentino) e rejeita com um sorriso irônico a "maldição do Che", à qual é atribuída a morte violenta de vários militares envolvidos na captura do revolucionário.
Ampliar

Conheça o roteiro turístico que refaz as trilhas de Che Guevara na Bolívia28 fotos

1 / 28
Busto gigante de Che Guevara adorna a praça central de La Higuera, o remoto vilarejo boliviano no qual o guerrilheiro argentino foi executado em 9 outubro de 1967 Leia maisMarcel Vincenti/UOL
A mesma atitude é adotada na hora de explicar a atual acusação que pesa sobre ele: a de participar de um complô em 2009, organizado por membros da elite de Santa Cruz (que supostamente buscavam separar a província da Bolívia), para matar o atual presidente boliviano, Evo Morales. "Não tive nada a ver com isso, e o governo fica me chamando de terrorista". 
Prado exibe diversas condecorações do Exército boliviano e já foi embaixador do país no México e na Inglaterra. Na parede de sua casa na cidade de Santa Cruz de la Sierra, aparece em uma foto dando a mão para o papa João Paulo 2º.  "Fiz coisas mais importantes na vida do que capturar Che Guevara", afirma ele. 
Qual foi a reação de Che Guevara no momento em que ele se viu capturado?
Eu tenho duas imagens do Che neste momento. A primeira é a de um homem acabado, que se rendia. Muita gente me pergunta: o que você sentiu quando se viu na frente do Che? E eu digo: me deu pena. Era um homem em péssimo estado físico, com a roupa suja, e seu estado de ânimo não era melhor. Ele estava totalmente deprimido. Nas horas em que combateu nossos soldados, Guevara viu morrer vários de seus companheiros e, quando já estava sob nosso controle, me disse: "isso está acabado".  Porém, curiosamente, ao perceber que o tratávamos bem, seu estado de ânimo melhorou. Foi nesse momento em que ele começou a se preocupar com seu futuro e a perguntar o que iríamos fazer com ele. Nesse momento não havia nenhuma instrução do que não deveríamos fazer com os prisioneiros e minha resposta foi simples: você será julgado em Santa Cruz de la Sierra, que é a sede do comando da divisão que o capturou. Ele provavelmente imaginou que seu julgamento se transformaria em uma causa célebre. São essas as duas imagens que tenho dele naqueles instantes: o homem deprimido logo após a captura e uma pessoa mais otimista em La Higuera.  
Como foi a última vez em que o senhor viu Che Guevara vivo?
Foi manhã do dia 9 de outubro, quando chegou a La Higuera de helicóptero o comandante da minha divisão, o coronel Joaquín Zenteno. Eu lhe entreguei meus dois prisioneiros [Che Chevara e o boliviano Simeón "Willy" Sanabria] e os materiais capturados na operação. Zenteno me pediu para levá-lo até a zona em que havíamos prendido os guerrilheiros. Após observar a área, ele me disse que tinha que falar com La Paz e voltou a La Higuera. Eu fiquei perto da Quebrada del Yuro, pois tinha que fazer uma varredura para acabar com os guerrilheiros que ainda restavam na zona. Matamos mais dois guerrilheiros em um combate e então regressamos a La Higuera. Quando chegamos ao vilarejo, um major veio até mim: "o Che foi executado. Ordens de La Paz". Durante todo o dia, havia um helicóptero transportando corpos de soldados e guerrilheiros entre La Higuera e Vallegrande, e a ordem do coronel Zenteno era que o corpo de Che fosse levado na última viagem. O cadáver dele já estava sendo amarrado aos patins do helicóptero. Eu me aproximei do corpo e amarrei meu lenço em volta de sua mandíbula, para que seu rosto não deformasse. Ele ficou parecendo com uma pessoa com dor de dente. Essa é a última imagem que eu tenho dele, o momento em que ele partia no helicóptero.
O senhor acredita na "maldição do Che", que teria ocasionado a morte de várias pessoas envolvidas em sua captura [como o coronel Joaquín Zenteno, assassinado em Paris em 1976, e o próprio presidente René Barrientos, morto em um acidente aéreo em 1969]?
[Sorrindo e balançando a cabeça negativamente] Isso é um disparate.
  • Arquivo pessoal/Gary Prado
    Gary Prado em 1967, durante a campanha que capturou Che Guevara na selva boliviana
E o que o exatamente aconteceu no Rio de Janeiro em 1968, quando um grupo armado de esquerda assassinou um militar alemão pensando que era o senhor?
Em 1967, eu havia recebido uma bolsa para fazer um curso na Escola de Estado Maior do Brasil, na Praia Vermelha. Eu vivia em Copacabana e estudava com oficiais de vários países, como argentinos, paraguaios, portugueses, italianos. E havia um alemão, que vivia perto de mim. Um dia, vestidos como civis, pegamos o ônibus juntos. Eu desci primeiro e ele desceu umas duas quadras depois. O que sabemos é que, no momento em que ele se aproximava de sua casa, dois homens apareceram entre os carros e dispararam diversos tiros contra ele. Quando souberam da história, os oficiais da Escola Maior foram até minha casa para me levar para um lugar seguro. Uma das possibilidades levantadas foi a de que os assassinos o tinham confundido comigo, que o atentado deveria ser feito contra mim. Mas isso nunca foi comprovado e minha vida continuou relativamente normal. De qualquer modo, eu tive uma vantagem, pois comecei a morar dentro do edifício militar da Praia Vermelha, junto com oficiais brasileiros, o que me fez poupar pelo menos três anos de aluguel no Brasil. Recentemente, em 1999, um colega me ligou dizendo: "O 'Fantástico', da Rede Globo, está mostrando uma reportagem sobre as pessoas que tentaram te matar e haviam se enganado". Ele me mandou uma gravação e lá estavam os caras que tentaram me matar, que supostamente pertenciam a uma célula comunista.
Hoje o senhor é um general reformado com uma longa carreira no Exército e no governo boliviano. O senhor gosta de ser recordado principalmente como o homem que capturou Che Guevara?
Na minha vida, fiz coisas mais importantes do que capturar Che. Mas isso é algo com que eu tenho que me acostumar a viver, certo? Neste escritório [apontando para dezenas de retratos nas paredes], sempre ouço a mesma pergunta: 'mas como você não tem nenhum foto do Che aqui?'. E a minha resposta é a mesma: por que vou ter uma foto do Che aqui? Fiz coisas mais importantes na minha vida. Mas tenho muitos livros publicados sobre ele, como referência.
Como seriam a Bolívia e a América do Sul caso a guerrilha de Guevara tivesse tido êxito?
Um governo dessa natureza não teria sobrevivido na Bolívia, que não tem saída para o mar e na época estava rodeada de ditaduras militares [de direita]. É impossível pensar que uma guerrilha de esquerda conseguiria tomar o poder na Bolívia. Nossas fronteiras e espaço aéreo seriam fechados, ninguém mais iria entrar aqui. Era uma utopia, um sonho complicado. Por outro lado, o que Cuba fez com o Che foi uma traição: o abandonaram. O governo de Fidel Castro o mandou para a Bolívia para se livrar dele. Em 1965, Fidel leu publicamente a carta em que Che se despedia de Cuba e renunciava a seus cargos no governo da ilha. Naquele momento, Che estava conduzindo uma guerrilha na República Democrática do Congo e li [em um relato escrito pelo guerrilheiro cubano Daniel Alarcón Ramírez, que acompanhava Che na empreitada], que Guevara ficou furioso ao saber da publicação de sua carta. Ele queria que essa carta só fosse publicada caso ele fosse morto no Congo, para que Cuba fosse isentada de qualquer responsabilidade de intervenção no país africano. Isso fechou seu caminho de volta a Cuba, pois ele havia renunciado a tudo. E a mesma coisa aconteceu quando ele chegou a Bolívia: ele teve pouquíssimo suporte de Cuba para conduzir sua guerrilha.     
  • Arquivo pessoal/Gary Prado
    Che Guevara sob custódia no vilarejo de La Higuera, momentos antes de ser executado
Escolher o Sudeste da Bolívia como área de operação da guerrilha foi um erro?
A população dessa região já era dona de suas terras e nunca havia sido oprimida como o foram os mineiros bolivianos, por exemplo, que se encontram em outras regiões da Bolívia. Além disso, é uma área que concentrava muitos ex-combatentes da Guerra do Chaco [conflito territorial sangrento ocorrido entre Bolívia e Paraguai de 1932 a 1935], todos extremamente nacionalistas e zelosos de seu território. O Che não iria conseguir nunca recrutar essa gente para sua guerrilha. Além disso, a partir de 1964, o presidente René Barrientos conduzia um programa chamado "Ação Cívica", em que o Exército fazia diversos trabalhos sociais para a gente do campo. Os camponeses gostavam do Exército e viraram delatores do movimento guerrilheiro.     
Matar Che Guevara foi a melhor decisão?
Nesse momento [após ele ser capturado] não me pareceu a melhor decisão. Mas foi algo compreensível. Em 1976, o general Alfredo Ovando [que comandava o Exército da Bolívia em 1967] me contou como foi a reunião com o presidente Barrientos que decidiu o destino de Guevara. Eles consideraram um julgamento, mas logo descartaram a ideia, pois seria um show midiático. Além disso, em um julgamento, Guevara teria que ser condenado a pelo menos a 30 anos de prisão, pois ele tinha invadido a Bolívia e matado diversos soldados bolivianos. E onde prendê-lo? Na época, as cadeias na Bolívia mal tinham paredes, só ficava preso quem queria. Seguramente iríamos ter que lidar com diversas tentativas para libertá-lo. Seria um fator de agitação permanente. Assim que a conclusão do alto poder foi a seguinte: era necessário executá-lo.
Mas isso também criou um mártir...
O procedimento da execução foi errado. Nós [diversos oficiais presentes em La Higuera] não fomos consultados sobre qual era a melhor forma de sair daquele impasse. Não tínhamos ordem para matar Che no momento em que o capturássemos e diversos camponeses o viram saindo vivo da Quebrada del Yuro e caminhando em direção a La Higuera. O governo quis informar que Che havia sido morto em uma troca de tiros, mas todos já sabiam que isso não tinha acontecido. Ter sido capturado em combate e morto em uma escolinha em um lugar isolado da Bolívia contribuiu para a criação do mito em torno dele.  

50 anos da resistência dos camponeses de Mari.


Notícia enviada por Roberto Monte. 50 ANOS DA RESISTÊNCIA DE MARI Neste dia 15 de janeiro de 2014, presta-se uma justa homenagem aos camponeses de Mari, que, há exatos 50 anos, estando ordeiramente lavrando e semeando a terra, resistiram heroicamente à agressão armada pelos latifundiários. Na ocasião, tombaram: o líder sindical Antonio Galdino da Silva e os camponeses José Barbosa do Nascimento, Pedro Cardoso da Silva e Genival Fortunato Félix. Entre muitos feridos, lembramos os nomes de Antonio Galdino Pessoa e Manoel Fernandes da Silva. O COMITÊ PARAIBANO MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA, entidade civil que reúne professores, estudantes, profissionais liberais, representantes sindicais e dos movimentos sociais, convida todos, especialmente a população do Município de Mari, para participar dos atos públicos que serão realizados em homenagem aos heróis desta resistência. PROGRAMA 9 horas – Abertura Oficial - Ginásio de Esporte O Marcão – BR-073, km 21 – Entidades organizadoras e convidados. Coordenação: Rafael Freire Santana, Gleyson Ricardo Melo e Athamir Araújo. Palestra As Ligas Camponesas - Antonio Augusto Homenagem aos familiares - Antônio Galdino da Silva, Pedro Cardoso da Silva, Genival Fortunato Felix e José Barbosa do Nascimento. Coordenação: Victor Figueiredo, Marlene Almeida e Nazaré Zenaide. Lançamento do Cordel Resistência em Mari – Medeiros Braga. Coordenação: José Emilson Ribeiro e Antonio Augusto Atividades Culturais com cantadores, emboladores e capoeira – Fundação Cultural de João Pessoa – Coordenação: José Emilson Ribeiro e Igor 12 horas – almoço 14 horas - Caminhada da Resistência ao local do conflito. Coordenação: Marquinho, Felipe e Victor Ato religioso com a participação de Pe. Bosco – Presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos. Coordenação: Josália Gomes do Vale e Adarlan (MST), Antonio Severino (Paróquia de Mari) e Guiany (CEDH). Ato Político com lideranças sociais locais e nacionais - Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Mari. Coordenação: José Calistrato e Gleyson Ricardo Melo (CPMVJ) e José Martins (Sindicato Rural de Mari). Apoio: Prefeitura Municipal, Câmara Municipal e do Sindicato Rural de Mari, Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sindicato dos Bancários, Sindifisco, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Sindicato dos Jornalistas, Associação Cultural José Martí (ACJM), Associação Paraibana dos Amigos da Natureza (APAN), Levante Popular da Juventude, Consulta Popular, Movimento do Espírito Lilás (MEL), Centro de Referência dos Direitos Humanos, Partido Comunista Revolucionário (PCR), Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos, Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos, Fundação Cultural de João Pessoa – FUNJOPE, Ação Libertadora Nacional - ALN.

Fim da conversa no bate-papo

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

EUA sugeriram intervenção militar para tirar Jango do poder, diz site
SÃO PAULO - Documentos do período da ditadura militar revelam que o então presidente dos Estados Unidos John Kennedy (1917-1963) sugeriu intervenção militar no Brasil para depor o então presidente brasileiro João Goulart (1919-1976).
As informações foram reunidas pelo jornalista Elio Gaspari, autor de uma série de livros sobre o período, e publicadas pelo site "Arquivos da Ditadura", que estreou nesta segunda-feira, 6. Gaspari é jornalista e colunista dos jornais Folha de S. Paulo e O Globo.
A pergunta do então presidente norte-americano foi feita durante uma reunião na Casa Branca e revela que os EUA cogitaram participação do país no golpe de 1964 contra Goulart.
Além desse documento, o site também contém bilhetes, despachos, discursos e manuscritos de conversas dos principais personagens da ditadura juntados por Gaspari ao longo dos últimos 30 anos e que lhe serviram de base para a publicação de livros sobre o período - "A Ditadura Envergonhada", "A Ditadura Escancarada", "A Ditadura Derrotada", e "A Ditadura Encurralada".
As quatro obras de Gaspari serão relançadas em fevereiro pela editora Intrínseca, a mesma que elaborou o site.
Em dezembro, o Congresso Nacional devolveu o mandato do ex-presidente João Goulart num ato simbólico que contou com a presença da presidente Dilma Rousseff e outras autoridades. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pediu desculpas "pelas inverdades praticadas pelo Estado brasileiro" contra um "patriota".
Um mês antes, os restos mortais de Goulart foram exumados para investigações sobre a causa de sua morte. Familiares e o governo federal suspeitam de que ele não tenha sido vítima de infarto, como foi divulgado na época. Para eles, Jango teria sido morto por agentes ligados ao regime militar. 
Fonte: estadao.com.br

domingo, 29 de dezembro de 2013

Roberto Amaral » CARTA ABERTA AO POVO DO BRASIL, por Edward Snowden

Publicada na Folha de São Paulo em 17/12/2013
Por: EDWARD SNOWDEN
Edward Snowden
Seis meses atrás, emergi das sombras da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA para me posicionar diante da câmera de um jornalista. Compartilhei com o mundo provas de que alguns governos estão montando um sistema de vigilância mundial para rastrear secretamente como vivemos, com quem conversamos e o que dizemos.
Fui para diante daquela câmera de olhos abertos, com a consciência de que a decisão custaria minha família e meu lar e colocaria minha vida em risco. O que me motivava era a ideia de que os cidadãos do mundo merecem entender o sistema dentro do qual vivem.
Meu maior medo era que ninguém desse ouvidos ao meu aviso. Nunca antes fiquei tão feliz por ter estado tão equivocado. A reação em certos países vem sendo especialmente inspiradora para mim, e o Brasil é um deles, sem dúvida.
Na NSA, testemunhei com preocupação crescente a vigilância de populações inteiras sem que houvesse qualquer suspeita de ato criminoso, e essa vigilância ameaça tornar-se o maior desafio aos direitos humanos de nossos tempos.
A NSA e outras agências de espionagem nos dizem que, pelo bem de nossa própria “segurança” –em nome da “segurança” de Dilma, em nome da “segurança” da Petrobras–, revogaram nosso direito de privacidade e invadiram nossas vidas. E o fizeram sem pedir a permissão da população de qualquer país, nem mesmo do delas.
Hoje, se você carrega um celular em São Paulo, a NSA pode rastrear onde você se encontra, e o faz: ela faz isso 5 bilhões de vezes por dia com pessoas no mundo inteiro.
Quando uma pessoa em Florianópolis visita um site na internet, a NSA mantém um registro de quando isso aconteceu e do que você fez naquele site. Se uma mãe em Porto Alegre telefona a seu filho para lhe desejar sorte no vestibular, a NSA pode guardar o registro da ligação por cinco anos ou mais tempo.
A agência chega a guardar registros de quem tem um caso extraconjugal ou visita sites de pornografia, para o caso de precisarem sujar a reputação de seus alvos.
Senadores dos EUA nos dizem que o Brasil não deveria se preocupar, porque isso não é “vigilância”, é “coleta de dados”. Dizem que isso é feito para manter as pessoas em segurança. Estão enganados.
Existe uma diferença enorme entre programas legais, espionagem legítima, atuação policial legítima –em que indivíduos são vigiados com base em suspeitas razoáveis, individualizadas– e esses programas de vigilância em massa para a formação de uma rede de informações, que colocam populações inteiras sob vigilância onipresente e salvam cópias de tudo para sempre.
Esses programas nunca foram motivados pela luta contra o terrorismo: são motivados por espionagem econômica, controle social e manipulação diplomática. Pela busca de poder.
Muitos senadores brasileiros concordam e pediram minha ajuda com suas investigações sobre a suspeita de crimes cometidos contra cidadãos brasileiros.
Expressei minha disposição de auxiliar quando isso for apropriado e legal, mas, infelizmente, o governo dos EUA vem trabalhando arduamente para limitar minha capacidade de fazê-lo, chegando ao ponto de obrigar o avião presidencial de Evo Morales a pousar para me impedir de viajar à América Latina!
Até que um país conceda asilo político permanente, o governo dos EUA vai continuar a interferir com minha capacidade de falar.
Seis meses atrás, revelei que a NSA queria ouvir o mundo inteiro. Agora o mundo inteiro está ouvindo de volta e também falando. E a NSA não gosta do que está ouvindo.
A cultura de vigilância mundial indiscriminada, que foi exposta a debates públicos e investigações reais em todos os continentes, está desabando.
Apenas três semanas atrás, o Brasil liderou o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas para reconhecer, pela primeira vez na história, que a privacidade não para onde a rede digital começa e que a vigilância em massa de inocentes é uma violação dos direitos humanos.
A maré virou, e finalmente podemos visualizar um futuro em que possamos desfrutar de segurança sem sacrificar nossa privacidade.
Nossos direitos não podem ser limitados por uma organização secreta, e autoridades americanas nunca deveriam decidir sobre as liberdades de cidadãos brasileiros.
Mesmo os defensores da vigilância de massa, aqueles que talvez não estejam convencidos de que tecnologias de vigilância ultrapassaram perigosamente controles democráticos, hoje concordem que, em democracias, a vigilância do público tem de ser debatida pelo público.
Meu ato de consciência começou com uma declaração: “Não quero viver em um mundo em que tudo o que digo, tudo o que faço, todos com quem falo, cada expressão de criatividade, de amor ou amizade seja registrado. Não é algo que estou disposto a apoiar, não é algo que estou disposto a construir e não é algo sob o qual estou disposto a viver.”
Dias mais tarde, fui informado que meu governo me tinha convertido em apátrida e queria me encarcerar. O preço do meu discurso foi meu passaporte, mas eu o pagaria novamente: não serei eu que ignorarei a criminalidade em nome do conforto político. Prefiro virar apátrida a perder minha voz.
Se o Brasil ouvir apenas uma coisa de mim, que seja o seguinte: quando todos nos unirmos contra as injustiças e em defesa da privacidade e dos direitos humanos básicos, poderemos nos defender até dos mais poderosos dos sistemas.
Tradução de CLARA ALLAIN


Sent from my iPad

 Aspas nossas:

"Nossos direitos não podem ser limitados por uma organização secreta, e autoridades americanas nunca deveriam decidir sobre as liberdades de cidadãos brasileiros."

Vale muitíssimo para o caso brasileiro.

 Fechaspas.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Aos 50 anos do Golpe, livros sobre a ditadura são aposta para 2014 

Reedição dos livros de Elio Gaspari sobre o regime militar começam a sair em fevereiro, pela Intrínseca

Leonardo Cazes 
Maurício Meireles


Passeata dos Cem Mil no Rio de Janeiro, em 1968, contra a ditadura: edições vão lembrar, sob diversos aspectos, a época do regime militar no Brasil
Foto: Arquivo Passeata dos Cem Mil no Rio de Janeiro, em 1968, contra a ditadura: edições vão lembrar, sob diversos aspectos, a época do regime militar no Brasil Arquivo
RIO - No ano em que se completam cinco décadas do golpe que instituiu o regime militar no Brasil, o assunto será tema de diversos lançamentos do mercado editorial. Entre as novidades, o carro-chefe promete ser uma reedição: os quatro livros do jornalista Elio Gaspari A ditadura envergonhada (2002), A ditadura escancarada (2002), A ditadura derrotada (2003) e A ditadura encurralada (2004) estreiam em nova casa, a Intrínseca. Com lançamento previsto para meados de fevereiro, as obras foram revistas e atualizadas e ganharão caprichadas edições em e-book, com fac-símiles de documentos citados, fotos, vídeos e áudios.

Outros três livros procuram repassar as duas décadas de regime militar. Em 1964: O golpe que derrubou um presidente e instituiu a ditadura no Brasil (Civilização Brasileira), Jorge Ferreira e Ângela de Castro Gomes, professores da Universidade Federal Fluminense (UFF), traçam um panorama do regime civil-militar e destacam personagens e momentos que marcaram o período.

Em Ditadura e democracia no Brasil: do golpe de 1964 à Constituição de 1988 (Zahar), Daniel Aarão Reis, também professor da UFF, propõe uma nova leitura do regime, especialmente da relação entre a sociedade civil e os militares. As duas obras estão previstas para fevereiro. Já o historiador Marco Antônio Villa publica Ditadura à brasileira (LeYa), em que apresenta as peculiaridades do regime e os aspectos políticos, econômicos, sociais e culturais de cada um dos cinco governos militares.

Na seara do comportamento, O verão do golpe (Maquinária Editora), do jornalista Roberto Sander, lançado este mês, recupera o cenário social e cultural da temporada que antecedeu a derrubada do presidente João Goulart, na primavera de 1964. Na mesma linha, a Companhia das Letras publica, da jornalista Ana Maria Bahiana, Almanaque 1964, que faz um balanço do clima cultural e político naquele ano.


O ano de 2014 também marca outra efeméride: os 100 anos do início da Primeira Guerra Mundial. A Rocco garantiu os direitos de publicação de Adieu à lEurope (Adeus à Europa), de Olivier Compagnon. O autor fez um estudo sobre como o conflito no Velho Continente afetou os países latino-americanos, entre eles o Brasil e a Argentina, fazendo aflorar questões identitárias e provocando uma reformulação do próprio nacionalismo. Pelo selo Alfaguara, sairá O bom soldado Svejk, de Jaroslav Hasek, romance de 1923 que é editado no Brasil pela primeira vez na íntegra e com tradução direta do tcheco. A obra é baseada, em partes, na própria experiência de Hasek, e expõe a máquina da guerra através do riso.
Fonte: O Globo.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Por Travis Gettys, do The Raw Story | Tradução: Ítalo Piva
Os Estados Unidos declararam e lutaram uma amarga, brutal e violenta guerra contra a igreja, disse Chomsky (Foto: Wikimedia Commons)
Os Estados Unidos lutaram por décadas uma guerra contra católicos que praticavam os ensinamentos que levaram o Papa Francisco a ser eleito personalidade do ano pelaTimes, segundo o filósofo político Noam Chomsky.
Segundo Chomsky, em 1962, a conferência Vaticano II reformou os ensinamentos da Igreja Católica pela primeira vez desde o século IV, quando o Império Romano adotou o cristianismo como sua religião oficial, e isso teve um profundo impacto nos líderes religiosos da América Latina.
Leia também:
Jesus Cristo “capitalista” e Papa Francisco “marxista”?
Um dos futuros santos da Igreja, João Paulo II colaborou com a CIA
Na semana passada, em uma entrevista com o ativista de justiça social Abel Collins, Chomsky explicou que padres e laicos latino-americanos formaram grupos com camponeses para estudar o Evangelho e reivindicar mais direitos das ditaduras militares da região – que ficaram conhecidos como Teologia da Libertação.
“Há uma razão porque cristãos foram perseguidos pelos primeiros três séculos,” disse Chomsky. “Os ensinamentos são radicais – de um texto radical – que pregam basicamente um pacifismo radical com opções preferenciais aos pobres.”
Ele reafirmou que praticantes da Teologia da Libertação foram sistematicamente martirizados, ao longo de mais de 20 anos por forças apoiadas pelos EUA, que tentavam evitar que nações latino-americanas instalassem governos socialistas em benefício de seus próprios povos, contrariando interesses norte-americanos.
“Os Estados Unidos declararam e lutaram uma amarga, brutal e violenta guerra contra a igreja,” disse Chomsky. “Se existisse imprensa livre, é assim que representariam a historia.”
Ele explicou que os EUA apoiaram a “posse de governos e instituições ditatoriais com estilos neonazistas”, como parte de uma guerra que finalmente terminou em 1989 com a morte de seis jesuítas e duas mulheres na Universidade da América Central por tropas salvadorenhas.
Chomsky disse que aquelas tropas foram treinadas pelo governo norte-americano na Escola Kennedy de Guerra Contra a Insurgência, e agiram sob ordens oficiais do comando salvadorenho, que mantinha uma relação próxima com a embaixada norte-americana.
“Eu nem tenho que atribuir isso ao governo,” disse ele. “Já é aceito. A Academia das Américas, que treina oficiais militares latino-americanos – basicamente assassinos – um dos seus pontos de discussão é que o exército norte-americano ajudou a derrotar a Teologia da Libertação.”
O Papa Francisco, um jesuíta argentino, tem feito gestos simbólicos para uma nova aceitação da Teologia da Libertação na Igreja, depois de anos de condenação por suas aspirações políticas pelos papas João Paulo II e Bento XVI.
Seu recente Evangelii Gadium – ou Alegria do Evangelho – foi visto por muitos como um ataque ao capitalismo e economia de mercado livre, mas Chomsky acredita que até agora o Papa não transformou suas palavras em ações.
“Gosto do fato de que o discurso mudou, e de que há uma melhora na discussão sobre justiça social, mas temos que ver se isso chegará ao ponto de as pessoas se organizarem e insistirem por seus direitos percorrendo o caminho da opção preferencial pelos pobres, ou seja, de levar o Evangelho a sério.”
Fonte: revistaforum.